Muito prazer, Frigoboy

frigoboy

Como tem muita gente falando de mim por aí, resolvi vim aqui me apresentar. Porque volta e meia, vira e mexe, a imprensa diz que eu disse coisas que eu não disse, por isso resolvi falar de próprio punho.

O que me chateia mesmo é quando leio no jornal as coisa que os repórter diz que eu falei. Tudo quanto é frase tem um negócio assim: (sic). Eu nunca falei esse negócio de sic, é mentira. Eu nem sei o que significa sic. Aí o pessoal colocam palavras na minha boca e eu passo por mentiroso. Um apelo: parem de dizê que eu falo sic!
Alguém tem um pente? Gosto que meus cabelo esteja tudo assim, divididinho no meio, acho que é elegante, chique no úrtimo.

Vou te falar uma coisa pra voceis, eu acho um absurdo o nível da corrupção no Brasil. Eu sou um empresário sério, o mundo é dos espertos, então, se eu não for mais esperto que o outro, danço. Que que eu posso fazer? Essa é a regra do jogo. Se um senador quer 7 milhão, eu dou 7 milhão e ele fica me devendo um favor, se um deputado precisa de 3 milhão, pode pegar aqui, depois eu cobro.

Foi por acreditar que o país mudou, que eu resolvi fazer uma colaboração com o pessoal tudo da Polícia Federal, da Procuradoria, da Lava Jato, do Ministério Público, da sociedade brasileira que busca os ilícito.
Vou contar a estória desse meu último episódio no Brasil.

Chega uma hora que um homem tem que fazer o que é certo. O camarada fica pensando, vai vendo tudo que tá acontecendo, repara que os amigo tão indo preso, que as firma tão falindo e resolve mudar.

Eu resolvi mudar. Comprei passagem pra Nova York. Mas antes disso, como prova de boa vontade, me deu na veneta de contar tudo o que eu sei.

No dia 19 de fevereiro, eu e minha família comíamos um churrasco, com carne importada, enquanto meu advogado ligava para um procurador da República para dizer que eu e meu mano, Safadão, queríamos confessar tudo o que sabíamos.

Eles gostaram da ideia e marcaram um encontro: o advogado, o procurador e uma delegada da Polícia Federal e explicaram tudo como funcionaria a nossa colaboração super, ultra, mega premiada.

Passô um tempinho, umas duas semana, eu fui lá no Palácio Jaburu, encontrá o presidente. Cheguei chegando, gravadorzinho no bolso, diálogos na cabeça e fui logo dizendo “tamu junto, presidente”, pra ele sacar que eu era mano dele. Daí pra frente foi fácil, porque o Temer é um cara caladão, mineirinho, e eu gosto de falar. Fui falando de tudo, pápápápá, de um juiz daqui, um desembargador dali, um preso acolá. Uma compra de um cara, um pedido de outro… e assim foi, eu falando e ele pá, concordando. Aí disse que precisava falar de umas outras coisa (porque vai que a delação não dá certo, né?! Eu tinha que me precavê) e ele me disse pra mim procurá um outro cara e pra mim continuar amigo do Eduardo Cunha, viu?

Rapaz, eu sou bom de ideia, quando pensei nisso dei um sacode na Ticiana e disse, “vamo saí dessa, morena, e você nem vai precisar se preocupar com o preço da gasolina”.

Cheguei na Procuradoria botando banca, eu queria assinar o acordo, mas tinha que ser um acordo dos bão, porque eu tinha muita coisa na manga – e nos bolso, claro.

E a partir daí foi mamão com açúcar, entrei num negócio chamado “ações controlada” e tudo que eu fazia era monitorado, ou quase tudo. Iam pedindo e eu ia fazendo, entrega dinheiro em tal lugar, liga pra fulano, conversa com não sei quem, põe 500 mil real numa mala. Eu fui fazendo…

Tudo o pessoal achava que tinha que ser eu mesmo pra fazer tudo isso e não meu mano Safadão, porque eu que tava acostumado a lidar de propina com o pessoal, por isso era a pessoa mais confiável, com mais respeitabilidade para entregar provas.

Passando a régua e resumindo, em quase três mês tava tudo resolvido. Enquanto o Marcelo Odebrecht tá puxando cana, pagando um caminhão de dinheiro prum monte de advogado, eu consegui fazer tudo isso praticamente sozinho.

Mas tudo tem um preço, tem um antigo ditado que diz que não existe almoço de grátis, mas não tem problema, eu sempre estou disposto a pagar, nem que tenha que pegar empréstimo num banco, de preferência o BNDES.

E pra provar que a gente queria passar tudo a limpo mesmo, até o nosso advogado se tornou delator. Contou quem era o nosso contato na Procuradoria e como fizemo pra repassar o faz-me-rir dele. Por que com nois é assim, a gente conta mesmo.

E por fim, quando eu soube que o negócio ia ficar público, comprei uns dólar, vendi umas ação, arrumei as mala e se mandei pros Estados Unidos. Tem gente que diz que eu sou um caipira em Nova Iorque, mas eu não ligo.

Bom, eu vô me despedindo por aqui, porque eu e a Tici vamo dá um rolê pelos sexshop de Nova Iorque. É isso, pessoal, tamu junto.

Muito prazer, Frigoboy.

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