O Saber e a Sabedoria

edmilson

Mesmo parecendo à primeira vista sinônimos, eles são distintos. O saber é relativo à erudição, ao conhecimento, aos estudos. Já a sabedoria trata-se de um tipo de conhecimento mais amplo, impalpável e mais valioso. “É aquilo que ajuda o ser humano a viver melhor”, segundo Montaigne, filósofo francês do século XVI que já levantava à época questões sobre inadequações intelectuais, citando como exemplos dois grandes pensadores da antiguidade, Marco Terencio Varro e Aristóteles. Apesar de tratarem-se de duas personalidades altamente eruditas e bem formadas foram muito infelizes em suas vidas.

Montaigne, crítico do modelo de ensino do Collége de Guyenne, escola francesa de grande apelo naquele tempo, dizia: “O absurdo da educação é que sua finalidade não é tornar-nos melhores e mais sábios e sim fazer-nos pessoas cultas. Não somos ensinados a buscar a virtude e abraçar a sabedoria, somos cobrados a decorar teorias a absorver teoremas”. A questão principal é, tornou-se uma pessoa melhor e mais sábia? Devemos descobrir não quem sabe mais e sim quem sabe melhor. Nosso esforço se concentra apenas em encher memória, e não deixar espaço para o entendimento da vida e da noção de certo e errado.

Aproveitando estas questões, talvez fosse hora, ainda que atrasadamente, de suscitar uma grande discussão no sentido da revisão curricular de nossas escolas. Menos informação e mais formação. Matérias como filosofia, artes e estudos sociais, bem como, voltar o canto do hino nacional, fortalecendo o civismo, enriqueceriam nossas futuras gerações. Vestibulares mais voltados para o pensamento e a criatividade trariam de volta um estudo mais lógico e menos robótico.

Aproveitando este mote, poderíamos ter escolas com cursos de formação em política. Esta seria uma questão sine qua non para os pretendentes a cargos públicos elegíveis. Já trouxemos essa questão no artigo anterior. Se houvesse uma escola preparatória para carreira política teríamos homens muito mais preparados a atender o senso comum antes de seus próprios interesses.

Vivemos um momento ímpar em nossa história vendo um modelo de homens públicos muito mais envolvidos em páginas policiais do que em noticiários pertinentes ao bem-estar da sociedade. Um espírito de descrédito e desesperança está imperando, e analisando suas causas vemos que passa pelo descaso à educação. Necessitamos um novo modelo de educação, voltada para sabedoria e não apenas para o saber. Se não forem reformuladas as bases educacionais e o conceito de ensino, continuaremos a ter cidadãos frágeis, muitas vezes cultos porém infelizes.

Continuaremos a ouvir discursos encomendados para pessoas pretensamente eruditas que produzem obras ininteligíveis que oferecem proteção às pessoas que não têm nada a dizer.

Enfim, usando o saber para agir com sabedoria poderemos mudar esta nação através de uma revolução educacional. A questão é: a quem interessa???

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