Prateleira. Ed. 187

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Smith completa

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Patti Smith é uma artista múltipla, dos pés à cabeça faz arte. Com o pincel, com a caneta, com o microfone e com a máquina fotográfica. Ela respira a criação. Como mulher chegou ao punk e alçou o time, também conviveu com Bob Dylan, Jimi Hendrix e Janis Joplin, fez fotos fantásticas com grandes amigos como Robert Mapplethorpe e escreveu sobre essas e outras experiências.

Seu último livro, já traduzido para o português e editado pela Companhia das Letras (2016), Linha M, traz todas as suas memórias a partir dos dias presentes; dos seus caminhos atuais, pelas viagens que faz ou pelo café que visita toda manhã. A artista lembra os dias vividos e suas perdas incalculáveis, muitos dos amores já se foram e ela os resgata. Sensível e pronta. É assim que você a recebe em Linha M.

O primeiro trópico

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Henry Miller, escritor estadunidense, publicou o seu célebre Trópico de Câncer em 1934. Considerado muitas vezes um livro com alto teor erótico, foi banido de censura nos Estados Unidos apenas em 1961. Em forma de diário, consta tudo que Miller via e sentia em seus dias, dos mais profundos encontros às banalidades corriqueiras, mas com longa carga ficcional.

Cansado do puritanismo da América do Norte, Miller viajou à Paris e longe da cena dos anos 1920, descreveu outra cidade, a elevar seu lado B, ressuscitando emoções, como sempre desejou.

Outros jeitos de usar a boca

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Livro da autora indiana RupiKaur, que além de poeta é artista plástica e performer, foge do que se espera, é além do que se vê. É a realidade e o desejo de liberdade. Da fala e do comportamento. Nas suas linhas rápidas, simples e finas, Kaur escancara o grito comum, a busca pelo correto, que muitas vezes não nos é palpável.

De forma independente, em 2015, ela reuniu parte dos seus versos, ilustrou e lançou ao mundo Outros jeitos de usar a boca. Como talvez não esperasse, foi muito bem recebida. Vendeu mais de um milhão de livros. A jovem de 24 anos, que hoje mora no Canadá, percebe e é percebida através da sua poesia. Nova e necessária.

Anarquistas, graças a Deus

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Livro de estreia da autora Zélia Gattai, Anarquistas, graças a Deus é um conjunto de crônicas memoriais sobre a São Paulo do início do século XX a partir da chegada dos imigrantes europeus. A família da autora veio na primeira leva de imigrantes italianos, nesse sentido, ela demonstra vários aspectos da sua infância, do seu país de origem e a chegada ao Brasil.

Gattai publicou mais de 15 livros e foi premiada no Brasil e fora. Em 2001 foi eleita a vigésima terceira cadeira da Academia Brasileira de Letras. 

Autobiografia ficcional

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O livro A autobiografia de Alice B. Toklas, de GertrudeStein, é uma biografia da sua companheira. Alice e Gertrudeviveram juntas mais de vinte anos e se conheceram na efervescente Paris dos anos 20. Neste livro, a autora demonstra toda a grandiosidade desse período pelos olhos de Toklas.

GertrudeStein nasceu em 1874 nos Estados Unidos. Mudou-se para a França, se relacionou com gênios da arte como Pablo Picasso e Henri Matisse, com escritores como Ernest Hemingway, ErzaPound, James Joyce, entre outros hoje considerados grandes nomes da literatura mundial. Stein era fundamental para este círculo, com domínio e inteligência auxiliava-os na criação.

Cândido ou o Otimismo

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A obra clássica de Voltaire traz várias camadas do pensamento do autor francês a respeito da sociedade de então. Considerado um importante filósofo iluminista, Voltaire apresenta em seu livro Cândido ou o Otimismo críticas a sociedade de então, à filosofia regente, entre outros aspectos atuais ao autor a partir da visão do jovem Cândido.

Voltaire foi um defensor assíduo das reformas sociais, da liberdade civil, tanto religiosa, quanto comercial e seus ideais foram inspirações para a Revolução Francesa. Redigiu críticas ao absolutismo, atacando os privilégios da nobreza. Por essas atitudes, consideradas radicais ao período, foi preso duas vezes e exilou-se na Inglaterra evitando perseguições.

Verdade Tropical

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Uma obra toda Caetano, toda Brasil e música. Lançado em 1997, Verdade Tropical, que completa vinte anos, é um livro autobiográfico do cantor e compositor Caetano Veloso. Ele conta toda a sua história, desde a saída de Santo Amaro até o exílio em Londres no período ditatorial brasileiro.

É possível encontrar um Brasil aquecido pela música e suas críticas e poesias. Obra essencial para se conhecer um dos maiores artistas brasileiros por ele mesmo.

Os Allende

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O mais famoso romance da escritora Isabel Allende, A casa dos Espíritos, lançado em 1982, conta a história de EstebanTrueba e Clara, casal protagonista, e três gerações de sua família. Essa narrativa do século XX demonstra também as transformações sociais e políticas do Chile, passando pelo golpe militar e toda ascensão da esquerda no pré-golpe.

A autora nasceu em 1942, vivenciando toda a Ditadura em seu país, portanto, ela traz detalhes ricos em seu romance sobre esse momento histórico. Tanto o lado latifundiário, representantes da direita, quanto a posição socialista são expostos em sua obra. A principal inspiração para a escrita do livro foi a própria família da autora, Isabel é filha do primo de Salvador Allende, governante chileno deposto em 1973.

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