Além do cravo e a canela

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Penso na culinária na obra de Dalton Trevisan. Convenhamos, é pouca. Quase nada. Nada além de asinhas de frango e bolinhos de fubá mimoso. Nosso maior escritor não tem esse amor pela cozinha e dos prazeres dispensa os da mesa e narra os do baixo ventre, na cama. Pensar que a obra de Eça de Queirós deu dois enormes volumes de dicionário de sua culinária. E que dizer de Jorge Amado, o baiano que adorava estar à mesa com os amigos a degustar um bom vatapá.

vicente-capa-livroEsse gosto foi recuperado em livro pela Paloma Jorge Amado. Delicioso livro. Texto da qualidade que conhecemos nas crônicas e escritos de Paloma. Este “A comida baiana de Jorge Amado” ou “O livro de Cozinha de Pedro Archanjo com Merendas de Dona Flor”, é fantástico. Tudo que Jorge Amado inseriu em seus livros da comida baiana está lá.  Nos romances ‘Tieta do Agreste’, ‘Gabriela, Cravo e Canela’, ‘Quincas Berro d’Água’ e ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’, entre tantos, Jorge Amado descreveu as delícias da Bahia.

Dona Flor era cozinheira de mão cheia, ganhava a vida dando aulas de culinária para as mulheres da sociedade baiana. Gabriela ficou conhecida em Ilhéus por seus bolinhos e acarajés. Tieta, quando voltou a Santana do Agreste, preparou uma moqueca deliciosa. E a última refeição de Quincas Berro d’Água, o personagem e livro de Jorge Amado que mais gosto, foi uma moqueca de dar água na boca.

Paloma Amado, filha do escritor, conta que seu pai sempre dizia que “personagem tem de ser vivo, de carne e osso, e se não comer, morre”. Em um extenso trabalho de pesquisa, ela escolheu 142 das inúmeras receitas mencionadas pelos personagens que usavam o dendê, a jaca e a pimenta-de-cheiro, entre outros itens típicos da culinária baiana, e colocou no livro. Aqui, algumas das receitas da cozinha de Jorge Amado. Fáceis de reproduzir? Não sei, mas vale a pena tentar.

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