Sórdidas Estações de Nildo Teixeira

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Conheci Nildo Teixeira, o Bola, por intermédio de um amigo comum, o mestre fotógrafo Flávio Damm. Foi no início de 2007. Na época ele era diretor de redação da Editora Photos, com sede em Balneário Camboriú, que editava as revistas Photos e Imagens e Photo Magazine. As revistas impressas deixaram de existir, a modernidade não perdoa,  mas a Editora Photos continua sua brava luta para a divulgação da arte fotográfica. Tive o prazer de ter duas matérias sobre meu trabalho de fotógrafo publicitário publicadas nas revistas com o texto do Nildo.

Atualmente é editor do portal publixer.com.br e tem um programa de conteúdo cultural na rádio Transamérica FM de Balneário Camboriú. Tem dois livros publicados, “O Craque Eterno” biografia de seu pai e “Quem sou Eu – A Saga da família Fisher” biografia do hoteleiro Klaus Fischer.

Nildo também é fotógrafo. A arte da fotografia o acompanha desde que usava calças curtas quando ganhou uma câmera Yashica FX, formato135. Era o tempo dos filmes P&B e color, das revelações em processos químicos, das ampliações nos vários formatos, em papéis dos mais simples, os Kodabromide F3 ou F4 da Kodak, aos famosos Ilford Galerie, dos álbuns para se colocar as cópias e dos slides para serem projetados. Era o tempo do analógico quando não se corria tanto contra o tempo. “Matamos o tempo. O tempo nos enterra” disse Machado de Assis.

Em 2014 Nildo percorreu o Parque Marumbi munido de uma câmera Lumix, de um iPhone IV e de seu olhar. Palmilhou matas e trilhas. Descobriu trilhos e estações da linha férrea há muito tempo desativados. A floresta tropical que deslumbrou e apavorou Renatus Cartesius no “Catatau” do Paulo Leminski a tomar conta dos lugares abandonados. A selva a ocupar o seu espaço natural antes da chegada do homem. E a invasão dos bárbaros com seus sprays e pinceis e tintas a estragar a paisagem. As fotos foram tratadas no Photoshop e, para dar mais dramaticidade às imagens, Nildo escolheu o P&B com um semi auto contraste, onde os meios tons quase desapareceram. Daí as sórdidas estações: o que está sendo devastado pela natureza e suas quatro estações e degradado pela mão do homem.

Com o olhar vemos e interpretamos imagens, sejam fotografias ou quadros, de acordo com nossas referências e repertório cultural. O trabalho fotográfico do Nildo, a parte o registro documental, vai além do documental uma vez que não é “naturalista”. E o semi auto contraste pode ser visto como uma metáfora. Que remete à destruição, à violência, à falência material e moral do país.

12 fotografias no formato 30x45cm farão parte da exposição “Sórdidas Estações” no Shopping Balneário Camboriú entre 18/08 a 18/09/2017 das 11:00 às 23:00 horas e no SESC entre 21/09 a 06/10/17 em horário a ser definido.

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