6º Olhar de Cinema

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O Festival Internacional de Cinema de Curitiba aconteceu de 7 a 15 de junho com 125 filmes de diferentes partes do mundo e épocas. Houve também seminários, debates, masterclass e encontros.

Cena do filme “Aurora”, produção Fox, com George O’Brien, Janet Gaynor, que ganhou o Oscar de produção artística notável

Cena do filme “Aurora”, produção Fox, com George O’Brien, Janet Gaynor, que ganhou o Oscar de produção artística notável

Como parte do “Olhar retrospectivo” do festival, foram exibidos filmes do cineasta alemão F. W. Murnau (1889-1931), considerado um dos maiores nomes do cinema mudo alemão. Seus filmes mais importantes abrem, dentro do expressionismo alemão, a escola do “kammesrpiel” (câmera-espelho), retratando a crise social dos anos pré-nazismo. Entre os que foram incluídos na programação, destaque para “Nosferatu” (1922), baseado no livro de Bram Stoker; “A última gargalhada” (Der Letze mann, 1924), com o expressivo ator Emil Jannings, em que o diretor não utilizou intertítulos; “Aurora” (Sunrise, 1927), já realizado nos EUA, com alguns efeitos sonoros e música gravada, deixando o cinema mais próximo da era falada. Filmes estes frequentemente incluídos nas listas dos melhores já realizados.

No segmento “Olhares clássicos”, um recorte dos mais variados filmes da história do cinema, diretores como Jean Renoir, Josef von Sternberg, os curtas de Norman Maclaren e Joaquim Pedro de Andrade. Cópias maravilhosamente restauradas em DCP, com as trilhas sonoras compostas na época.

A mostra “Foco” destacou o trabalho de autores contemporâneos e pouco conhecidos, como a cineasta tailandesa Anocha Suwichakornpong. Ocorreram ainda exibições especiais, algumas obras dedicadas ao público infantojuvenil e produções locais. As projeções aconteceram em algumas salas do Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema) e do Shopping Novo Batel (Cineplex Batel), por sorte, locais próximos.

jensen_6o-olhar-de-cinemaEm seguida, de 15 de junho a 5 de julho, Curitiba foi uma das cidades sede do Festival Varilux de Cinema Francês 2017. Foram exibidas nos mesmos shoppings 18 produções inéditas e um clássico de 50 anos, “Duas garotas românticas” (Les demoiselles de Rochefort), de Jaques Demy, com Catherine Deneuve e Françoise Dorléac. Quatro sessões ao dia com os filmes distribuídos em diversos horários, repetidos em dias alternados.

Infelizmente, esses eventos não contaram com um local principal, um ponto de encontro que aglutinasse palestras, debates, como acontece nos festivais ou mostras em todas as cidades: abertura e encerramento, grande número de participantes, enfim uma grande festa cultural. Tivemos que nos apinhar em pequenas salas de shoppings e outros locais espalhados pela cidade, sem uma identidade marcando os acontecimentos. Não contamos com um evento concentrado em um local, ou locais próximos, agregando salas de reuniões, exposições e exibição dos filmes. O patrocínio da Fundação Cultural de Curitiba se ateve a disponibilizar alguns espaços para cartazes de divulgação. Nenhuma de suas instalações foi utilizada, pois não existe possibilidade técnica mínima para a exibição de filmes hoje em dia, já que não há sequer um projetor digital padrão. Usam-se projetores de películas que não são mais distribuídas há anos ou projetores de vídeo de baixa resolução e luminosidade. A prefeitura não participou das iniciativas, muito menos o governo do Estado. O Museu da Imagem e do Som, que deveria sediar eventos, não possui sequer um auditório ou os equipamentos necessários para som e imagem. Em sua sede, limita-se a expor equipamentos antigos que não produzem mais nem som nem imagem. Nunca vi um museu como este, sem condições para audições de coisa alguma ou disponibilidade de consultas fáceis ao seu acervo.jensen_varilux

Por falar em governo do Estado, a TV Educativa deveria rever alguns programas nada educativos na sua grade de programação, de nível abaixo de qualquer crítica: agressões ditas sertanejas, com rebolativas garotas, inclusive em insistentes chamadas entre os programas. Ou vão justificar que isso é cultura paranaense? Para não falar da programação (quando tem) do Teatro Guaíra. Estamos mal de prefeitura e de governo estadual. Há anos Curitiba não pertence mais ao circuito cultural do país.

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