À mesa com Monet

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Claude Monet (Paris 1840 – Giverny 1926)

Nos cadernos de receitas de Monet, pintor mestre do impressionismo, foram encontradas delícias que lhe passaram Paul Cézanne, Madame Renoir e Jean Millet. E também um roteiro dos principais restaurantes da época. Vamos falar sobre o final do século XVIII, início do XIX, época em que comer bem era sinônimo de comer muito. vicente_monet-livro-capaEra gente assim que Monet convidada à sua casa desde que mudou-se para Giverny, pequena cidade às margens do Sena, a 70 km de Paris. Nesse lugar ele deu vida à sua casa de campo emoldurada por um jardim dos sonhos. Ali chegou maduro, aos 43 anos, acompanhado por sua segunda mulher, Alice e oito filhos (dois dele e seis dela). Entre os notáveis que desfrutaram dos refinados banquetes servidos na casa de Giverny estavam Camille Pissarro, Auguste Renoir, Georges Clemenceau, Auguste Rodin, e Paul Valéry.

vicente_monet-retratoCom a ajuda das crianças, ele semeou as primeiras sementes nos jardins e horta da propriedade. Além de uma enorme variedade de flores, plantou verduras, legumes, ervilhas, alfazema, rabanetes. Claude Monet não cozinhava. Jamais tocou em uma panela, mas sabia comer como ninguém. E para ele, comer era o ato de celebrar e compartilhar bons momentos entre amigos e familiares. A mesa era também o lugar e a oportunidade de conversar, trocar ideias e exercitar a amizade. Tanto na alimentação diária, como nas ocasiões especiais, Monet deu à mesa a importância que ela merecia, sem negligenciar qualquer detalhe, tanto na atmosfera que envolve os alimentos quanto ao conteúdo dos pratos.vicente_monet-livro-pg1

Detalhista e minucioso, era ele quem decidia tudo sobre a rotina de refeições da casa. Dos fornecedores dos alimentos até a escala rígida de horários. Todo e qualquer detalhe passava por ele.

Monet tinha um lado rabugento e fazia questão absoluta de seguir uma rígida rotina de horários. Acordava muito cedo para poder pintar o nascer do sol. Tomava um banho gelado e, em seguida, um café da manhã bem reforçado, servido geralmente ao ar livre, enquanto trabalhava. Ovos com bacon, chouriços de vitela grelhados, queijo (holandês ou inglês tipo Stilton), torradas com geleias de laranja e chás.

Fazia questão de almoçar pontualmente às onze e meia, e em seguida aproveitava a luz da tarde para trabalhar. Monet era um homem diurno e não gostava de receber convidados para o jantar pois dormia cedo, mais tardar às nove e meia.

vicente_monet-cozinha-givernyA casa de Giverny contava com um a criadagem de porte. Marguerite era a cozinheira, Félix o jardineiro, Florimond cuidava da horta e Sylvain era responsável pela adega, ateliê e automóveis. Havia também Paul, marido de Marguerite, que ocupava o posto de um funcionário de confiança, um faz tudo que atendia o pintor em todas as suas necessidades e caprichos.

 

 

 

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Aqui, dois menus de Claude Monet

Experiência de salmão com cores do meu jardim (Salada de folhas com salmão gravilax).

O prato principal, Roulade Monet de mignon de suíno e parma ao molho de camembert e cogumelos.vicente_monet-menu-2-entrada

Na sobremesa, Um barco no lago de Giverny. Mil folhas, creme pâtisserie, compota de pêssego.

Entrada, O lago das ninfetas, Velouté de aspargos com toque de cogumelos.vicente_monet-menu-2-sobremesa

O prato principal: Vitelo com gratin de batatas sobre um leito folhado.

E na sobremesa, a Torta do sonho de Monet.

 

Algumas das saladas preferidas de Claude Monet

Aspargos, que precisavam estar mal cozidos.

Endívias temperadas com alho e croutons. vicente_monet-livro-pg2

Dente-de-leão com toucinho frito.

Pourpier, conhecida no Brasil como ora-pro-nóbis.

As endívias, vagens e castanhas deviam sempre serem cozidas no vapor.

Espinafres deveriam ser cozidos em pouquíssima água para não perderem o sabor e a cor.

Ele pegava uma colher cheia de pimenta negra moída, misturada com sal grosso. Mergulhava essa mistura num pote com azeite e finalizava com uma gota de vinagre de vinho. Derramava esse tempero sobre suas folhas e devorava sozinho. Uma outra versão menos picante era feita para o resto da família.

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