A política, de perto

fabio

A política, mesmo em seus piores momentos, é sempre decisiva. E não só para os atores em cena, mas para todos nós que acabamos pagando o pato. Virar as costas não é remédio, mesmo sabendo-se que a política não é bonita quando vista de perto. Ela é para ser vista de distância apropriada. Quem não tem ânimo forte e estômago saudável não se meta, fique na plateia ou vá para casa.

Política é jogo bruto. Muitas vezes dominado por sentimentos e paixões que se podem chamar de negativos. A cupidez, o desejo de poder e riqueza acima de todos os outros objetivos. Além do ranço de ressentimento, mágoa, inveja, orgulho ferido. E vaidade. Muita vaidade. As grandes palavras, os programas, as ideias, os altos propósitos patrióticos servem para mover e até arrebatar partidários e admiradores, mas o que realmente anima chefes e chefetes, com demasiada frequência, são motivos pessoais nem sempre assim tão grandes ou estimáveis.

Esse é o ônus que devemos pagar, nós, os que se obrigam a ver de perto a coisa pública e a acompanhar o dia a dia dos seus atores e personagens. O jornalista deve abandonar a soberba, a crença ingênua de que faz a cabeça das multidões. A maioria mal sabe do que acontece nesse universo descolado do real que é o mundo da política. A minoria privilegiada repete as frases feitas que a mídia lhe põe na boca, enquanto a maioria dos brasileiros forma a caravana. Se os canhões de Francis Drake fossem tão eficazes quanto as nossas baterias midiáticas, ele não passaria de pescador de arrastão.

A caravana percorre seu caminho sem dar ouvidos e olhos ao jornalismo nativo e também sem questionar se o governo cuida direito de seus interesses. Berra quando a crise aperta e a miséria ronda a sua volta. De resto, segue impávido em sua vidinha. Na hora do voto, sai-se bem quem tem melhor potencial artístico. Messiânicos e demagogos compõem a maioria nos legislativos. São maioria na condução dos governos.

Como diz meu amigo Jeff Sabbag, o pianista que também é sábio filósofo, a política é um jogo de adultos, bruto, terreno dos conflitos, mas o ideal é que seja, tanto quanto possível, um jogo limpo, com regras estabelecidas limpamente, claramente. Há esperanças. Depois da Lava Jato, voltou a valer a máxima popular que diz que a esperteza, quando é demasiada, vira bicho e acaba comendo quem a inventou. Tomara.

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