Editorial. Ed. 189

Se você procura um monumento que expresse esta época em nosso país, olha a tua volta. Nunca as ruas de nossas cidades foram tão “haitianas” em pobreza, sujeira, no desespero passivo em quase todos os rostos. Nunca a violência permeou a vida brasileira como hoje, com espaços tomados pelo tráfico, com o tiroteio que não cessa e que alcança crianças com balas perdidas.

A crise, naturalmente (chatice de se ter de repetir o óbvio), é essa: política, econômica, social, moral, institucional. Completa. Nunca o Brasil passou por algo assim. E poucos países no mundo experimentaram desgraça tão extensa e aguda como efeito colateral do pós-populismo esquerdóide. Foi inútil trocar a perua pelo corvo na animal farm em que se converteu o Brasil. Sair da situação em que entramos não será fácil e nem rápido. Mais de uma geração de brasileiros pagará caro pela aventura petista que arrastou toda a esquerda oportunista que se entregou ao festim.

A equipe econômica, tão ao gosto dos banqueiros, tem mentalidade de cozinheira, econômica e dedicada, acrescente-se. É gastar o que se tem, minha filha, cortando o supérfluo e economizando as sobras, para aplicar em benfeitorias. Não importa que a família passe fome, por enquanto, ou que os fornecedores tenham opinião diferente sobre o assunto. Vivemos sob essa doutrina, apresentada como o último achado em economia.

Há 14 milhões de brasileiros nas ruas que saem a procurar trabalho e não encontram. Junte-se a eles outros 10 milhões que desistiram do emprego formal e vivem do bico, do trabalho eventual, de vender pirulito nas esquinas, enquanto uma parcela adere logo ao crime para sobreviver. Por que não? Se perguntam os jovens marginalizados que observam com inveja o sucesso dos gângsteres bem sucedidos da marca de Joesley Batista que saíram impunes do maior golpe já aplicado a um país no Ocidente, com o resultado do roubo preservado para viver no exterior com toda a cobertura da justiça nativa.
A história é marcada pelas sessões dos tribunais. O papel do juiz Sergio Moro é mais decisivo que o de todos os senadores juntos. Os ministros do STF fazem pose para as câmaras e pronunciam laxativos discursos sobre a corrupção. No TSE o circo da cassação tem cartas marcadas. O país inteiro é subjugado pela ópera bufa de cenários cambiantes e personagens escabrosos.

O que sobrou da esquerda nativa é um cortejo de carpideiras a chorar a perda do emprego, da sinecura, da prebenda, ou de uma verba pública para alimentar ONGs que alimentam párias. A esquerda como força política não existe, à exceção de artistas que gastam sua popularidade para defender o indefensável. Eleições diretas, pedem, como se eleições diretas pudessem resolver todos os problemas do país. Corremos o risco de ver eleito um aventureiro de corte militarista a oferecer ordem e progresso, o que seria apenas uma caricatura do que já aconteceu na história.
O Brasil conseguiu, enfim, se inviabilizar. E se depender da moçada radical, logo se transformará numa imensa Venezuela.

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