Em busca da cor

marianna

Uiara Bartira busca a cor, a forma, a incisão profunda, o que surge em meio ao caos. Atenta, percebe a mudança nos matizes do tempo, está sempre à frente dos sinais, das linhas que se formam com seus porquês.

Começa com a gravura tendo grandes mestres como referência: Poty Lazzarotto, Guido Viaro, Fernando Calderari. Ressalta a tradição gráfica em Curitiba – a singularidade e ousadia desta técnica praticada aqui –, da ponta da unha de Poty sobre o metal, algo criado e executado apenas por ele. Compara ainda a geografia de Curitiba com a de Amboise, na França (onde Leonardo da Vinci viveu seus últimos dias). Aqui, nós temos, segundo ela, uma tradição renascentista, diferente de outros lugares do Brasil.

Uiara trabalha atualmente com a pintura, com a cor, após anos de dedicação à gravura. Cita o pós-impressionista Paul Cézanne (1839-1906): “quanto mais a cor se harmoniza mais a forma se define”. A questão da cor está com ela desde sempre, porém, com a gravura à tona, o assunto permanece submerso, embora sempre ali, no desenho à sua volta. Há cerca de dez anos a pintura se sobrepõe no seu trabalho e a cor emerge.

Aprofunda-se no tema ao realizar oficinas artísticas ao público do Museu Oscar Niemeyer, fundamentadas na “Teoria da Cor” de Hélio Oiticica. Partilha a ideia de que o aprendizado da arte é fundamental para desenvolver as funções cerebrais e afetivas. “A arte tem um papel fundamental na construção do indivíduo”, pontua Uiara.

Participa ainda, no segundo semestre deste ano, de uma exposição coletiva no Clube Curitibano/Bienal de Curitiba. Com vários projetos engatilhados, a artista está sempre em busca. Da cor, da forma, da definição, dos contornos que se formam com nitidez.

Sobre a artista

A artista visual Uiara Bartira nasceu em Curitiba e formou-se em Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Depois concluiu uma especialização em Gravura de Metal e desenho na The Art Students League e outra em Fotogravura no

Bob Blackburn Workshop, em Nova Iorque. Implantou e dirigiu o Museu da Gravura em Curitiba entre 1989 e 1992. Participa de diversas exposições individuais e coletivas e como professora dedica-se a diferentes cursos de teoria e práticas artísticas.

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