Greca: 70% de desaprovação, um recorde

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O prefeito Rafael Greca de Macedo, do PMN, conseguiu bater um recorde incrível em curto período de sua gestão. O Instituto Paraná Pesquisas foi ao povo perguntar o que acha da administração pública de Curitiba. Os índices levantados são terríveis para o prefeito. Ora, pois, 70% dos curitibanos desaprovam sua administração. Nunca antes na história desta cidade um prefeito experimentou uma desaprovação dessa grandeza. Hoje, entre todos os governantes do país, Greca só está melhor, e por muito pouco, que o presidente Michel Temer.

Convenhamos, Greca caprichou para chegar a esse patamar de desaprovação. Não cumpriu nenhuma das promessas feitas em campanha. E fez descer na marra, goela abaixo, qual óleo de rícino, um pacotaço de medidas indigestas que derrubam direitos e benefícios dos servidores públicos. Sem constrangimento, Greca resolveu cancelar a data-base do funcionalismo. Para engrossar o caldo de vez, quer confiscar R$ 700 milhões da previdência municipal. Tudo em nome do enfrentamento da crise, que atribui ao antecessor, Gustavo Fruet, uma forma muito comum entre os políticos brasileiros de fazer de conta que não tem nenhuma responsabilidade.

A crise é grande, todo tostão economizado é importante, diz Greca, mas isso não o impediu de aumentar o número de nomeações em cargos em comissão. Muito além do prometido em palanque. A Prefeitura de Curitiba é um dos maiores cabides de emprego deste país tropical, abençoado por Deus e desgraçado pelos governantes. Greca melhorou também o seu repasto oficial, aumentando os gastos com almoços, merendas, jantares e refeições intermediárias, que no caso do prefeito são, no mínimo, mais três.
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Há mais. Para azedar o humor das massas, Greca aumentou o preço das passagens em 15%, de R$ 3,70 para R$ 4,25. E os serviços de saúde pública que ele prometeu arrumar em 15 dias, pioraram e diminuíram. A degradação é extensa. Veja:

• Não cumpriu a total reintegração do transporte coletivo metropolitano;
• Não requalificou todas as unidades básicas de saúde;
• Não reabriu e nem aumentou vagas em creches e berçários;
• Não cumpriu a promessa de limpar, varrer, carpir, lavar, pintar, reorganizar e requalificar os espaços públicos;
• Não revisou contratos entre a prefeitura e fornecedores terceirizados (ICI e coleta de lixo, por exemplo);
• Não reduziu secretarias e cargos comissionados.

O pacote de medidas proposto pela Prefeitura de Curitiba e em trâmite na Câmara Municipal vai resultar na redução da remuneração dos servidores públicos entre 20% e 30%, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a pedido do sindicato que representa a categoria. A redução vem de mudanças na alíquota do Instituto de Previdência Municipal de Curitiba (IPMC), de 11% para 14% na contribuição, além da alteração do valor do vale-transporte, que passaria a ser adquirido como cartão.

O estudo do Dieese toma como exemplo inicial um servidor com vencimento de R$ 2 mil e 10 anos de serviço público, tendo a lei referente ao plano de carreira (Lei 11.000) como parâmetro. Hoje, este servidor já deixou de ganhar 19,67% desde o começo de 2017, ou o equivalente a R$ 427,10. Ele também chegará a perder, de modo geral, 33,14% (R$ 861,10).

VAI SOBRAR PRA TODO MUNDO

Muita gente ainda não percebeu, mas os projetos de lei com medidas do Plano de Recuperação de Curitiba, mais conhecido como “Pacotaço”, não prejudicam apenas os servidores públicos, mas toda a população. A proposta reúne 12 medidas sob a justificativa de conter a crise econômica na cidade, porém, grande parte do plano além de afetar diretamente os direitos dos servidores municipais vai aumentar impostos para a população.
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O deputado Ney Leprevost e presidente municipal do PSD Curitiba, diz que o prefeito deveria combater, antes de tudo, a corrupção. E se esforçar para aumentar a arrecadação através do fomento ao comércio, à indústria e ao turismo. “O Pacotaço do Greca aumenta impostos como ISS e ITBI, taxa aposentados e prejudica funcionários da prefeitura. Mas não reduz o número de cargos em comissão. Sou contra. É ruim pra grande maioria da população”, disse.

O vereador Felipe Braga Côrtes (PSD) afirma que Curitiba precisa de reformas para melhorar a economia da cidade, mas, isso não pode pesar apenas no bolso dos trabalhadores municipais e da população mais carente. “Precisamos encontrar soluções eficazes para toda a sociedade. Não são apenas os servidores que vão perder com as medidas, mas toda a população que está sendo iludida com promessas de campanha que não estão sendo cumpridas”, afirmou.

O vereador professor Euler (PSD) diz que o prefeito está equivocado ou desinformado ao afirmar que o aumento de ITBI será para os mais ricos, afinal a alíquota que está sendo alterada de 2,4% para 2,7% incidirá justamente sobre imóveis cujos valores variam entre R$ 140 mil e R$ 300 mil (essa faixa inclui, por exemplo, imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida). “Os vereadores que, assim como eu, são contra essa mudança de alíquota são justamente os que estão olhando para a parcela da população que tem dificuldade em adquirir a casa própria”, concluiu.

O professor, economista e especialista em Administração Pública, mestre em Educação e doutor em Administração, Tadeu Atila Mendes, afirmou que em tempos difíceis, não se justifica gastar milhões na publicidade em horário nobre para explicar que o “cobertor está curto”, além de não economizar nas mordomias ou nas nomeações de amigos em centenas de cargos comissionados que poderiam ser extintos.

“Que mal há em buscar o diálogo sincero e honesto com a comunidade, abrir os dados, fazer auditorias independentes, buscar novas alternativas, estudar outras parcerias, pedir ajuda às melhores e boas cabeças, praticar a gestão responsável, competente e transparente, cumprir as promessas ou até justificar as promessas de campanha não cumpridas?”, disse Tadeu.

NA MARRA, NO CACETE
Tudo aponta para um futuro de difícil relacionamento entre o governo Rafael Greca e um aguerrido funcionalismo público municipal que não aceita as imposições do “pacotaço”. A aprovação das medidas de Greca pela Câmara de Vereadores foi um espetáculo degradante para a instituição. Os protestos foram tantos, ruidosos e agressivos que o plenário teve de ser transferido para a Ópera de Arame, com blindagem policial que eliminou qualquer possibilidade de participação popular. Bem que os vereadores tentaram chegar a entendimentos com os dirigentes sindicais. Não houve acordo. Especialmente com os trabalhadores, que não aceitam redução de salários, perda de benefícios, mudanças na carreira, carga maior de trabalho e mudança no regime previdenciário dos funcionários públicos municipais. O pacote segue a regra clássica de apertar o cinto, economizar com a redução da máquina e dos benefícios sociais para sobrar para investimentos.
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Só entraram para esta sessão especial da Câmara os vereadores e funcionários escolhidos a dedo, que passaram por um corredor polonês formado por policiais, na única entrada estreita disponível. Uma operação bem cuidada, planejada durante a última semana. O confronto foi inevitável. Os enfrentamentos renderam feridos entre policiais e manifestantes. Mas venceu a força organizada do Estado. Foi dificultada a entrada de cem representantes de sindicatos e da sociedade civil, o que caracteriza uma sessão sem público e sem testemunhas. A reação popular foi mantida à distância. Mesmo assim, os manifestantes conseguiram derrubar a primeira linha de proteção, mas foram contidos na base do coice logo depois.

Dois mil PMs, gás de pimenta, cães, bala de borracha. A ordem foi aprovar o pacotaço na porrada. A ira e a frustração dos funcionários é grande. Os professores queimaram seus jalecos. O pacotaço será aprovado, mas com um custo social muito grande e também um custo político definitivo para Rafael Greca, para quem as previsões atuais são terríveis: nunca mais.

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