Opaca

jessica

É o que sou e o que vejo. É a representação do mundo-agora. Do movimento da práxis. Hoje, agora, sou opaca. E continuo. Porque ainda sou. Hoje sou água, comprimidos, gemidos. Muda. Resquícios de vontades saem pela minha boca. Força que falta. Náuseas que sobram. Pausa para acompanhar o pensamento. Volto e há turbulência na fraqueza. Na leveza há caos. Isso que sou. Medo da noite. É nela que encontro minha opaquês. Nervosismo, medo, pavor, ansiedade e morte. Por fim. E não falo isso para aterrorizar e, sim, para alertar. Isso é literatura. Quem disse foi Beauvoir. Da falsa quero distância. Tóxica. A noite que sou: opaca. Transparência de mim. Vejo-me dissecada diante do espelho da noite. E disso faço linhas. Prosa poética da dor. Do medo. Do horror. E não falo isso para aterrorizar. E, sim, para alertar. Pois como já dizia Simone, essa é a verdadeira literatura. E se tenho algo a dizer, mesmo tentando não descrever, digo que sou opaca. Ronda-me o medo da noite que me espera, que já sinto. Quando a febre chegar serei opaca. E na ineficiência dessa verdadeira literatura fiz o que não existe. A literatura do desespero.

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