Muito prazer, Geddel, o Chorão

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Tem muita gente falando de mim por aí, as pessoas tratam de assuntos que desconhecem, dizem que sou bilionário, mas provas, ninguém tem, porque até agora acharam apenas 51 milhões num apartamento pertinho da minha casa. Minha situação é precária – snif, snif – eu nem pagava o aluguel do apartamento, pedi emprestado para um amigo, porque não sou bilionário e não tenho condições de – snif, snif – ser locatário de ninguém.

Esse arerê todo em volta de mim é coisa de inimigo, de gente que tem inveja da minha condição, é por isso que eu digo, quem estiver podre que se exploda, pague seu preço, eu sou honesto.

Quando eu tinha 25 anos, fui acusado de desviar milhões do Banco do Estado da Bahia. Mas veja só, fiz isso para beneficiar minha família – snif, snif – e foram milhões, não bilhões.

O meu currículo tem a marca da brilhante atuação em 1994 no episódio que ficou conhecido como “Anões do Orçamento”. Eu era um deputado federal, sem muita expressão nacional, mas cheio de ideias e, por que não?, ideais. Queria ficar bilionário, mas só consegui alguns milhões, em torno de 4% de verbas desviadas de grandes empreiteiras que faziam obras públicas, ou não faziam, não sei bem, mas isso – snif, snif – não importa.

Passei de anão do orçamento a gigante do governo pelas mãos do meu amigo Lula. Ele me nomeou ministro da Integração Nacional. Mi-nis-tro! Sabe lá o que é isso? O lance de obras, no Nordeste principalmente, passava pelo meu bolso, era uma maravilha. Bons tempos – snif, snif.

Como eu sempre fui muito colaborativo, e ninguém pode falar de mim o contrário, quando a companheira Dilma assumiu, pulei para a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, eita lugar bom de trabalhar, sinto saudade – snif, snif.
Mas quem fica parado é pedra, Dilma foi embora e eu tratei de me refazer, porque sou assim, um camaleão da política. Virei ministro de Governo do meu irmãozinho de partido Michel Temer. Mas veja como os tempos mudaram – snif, snif – ninguém respeita mais as vontades de um ministro e um sujeitinho da Cultura não aceitou minha carteirada para liberar umas falcatruas e acabei desabando do cargo. Snif, snif.

Fui preso, mas de tanto argumentar, com lágrimas, crocodilos e ameaças, pude ir para casa, sem tornozeleira eletrônica, porque na Bahia não tem dessas coisas, lá o pessoal usa fitinha do Nosso Senhor do Bonfim e pronto, tá feito, meu rei.

Com as bênçãos de todos os santos, podia ir de um lado a outro sem problemas. Estava refazendo a vida, ia até o apartamentinho contar o dinheiro, repassar, embolsar, abaixar o mealheiro ou como se diz por aí, dividir o pão. Acharam a grana, 51 milhões, não bilhões, fui preso de novo. Minha mãe falou: “Geddel não é bandido, é doente” – snif, snif – alguém ouviu maínha? Não deram a mínima!

Então resolvi dizer que tenho medo de ser estuprado na Papuda, quem tem c*, tem medo, não é assim?

Nada adiantou, estou aqui, num cubículo de doze metros quadrados; nove companheiros de cela; feijão, arroz, carne e salada no almoço; colchão fino que maltrata minhas costas; banho de sol; medo; e muito choro. Acho que estou com depressão – snif, snif.

Mas como no Brasil as coisas são um tanto enviesadas, hoje sou o homem mais poderoso do país, se eu parar de chorar e falar, a casa cai, meu rei.

Muito prazer, Geddel, o Chorão.

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