O jardim de Rubinski

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O alemão Josef Rubinski e a russa Anna Nicolaiewna Beckmann se conheceram durante a Guerra e conseguiram comunicar-se graças à ajuda de uma intérprete. Casaram-se e vieram morar no Brasil, na capital paranaense, Curitiba. História que por si só valeria um capítulo à parte. Dessa união nasce Mario Rubinski, em 1933, e aí começa outra história.

Considerado um dos mais importantes artistas paranaenses, Rubinski ingressou na Escola de Música e Belas Artes em 1958, onde teve aulas com Estanislau Traple, Waldemar C. Freyesleben, Erbo Stenzel, Leonor Botteri e Guido Viaro.

Cursou Didática de Desenho na Faculdade Católica do Paraná e realizou sua primeira exposição individual em 1963, na Galeria Cocaco, em Curitiba. Entre 1969 e 1971 participou da comissão julgadora do Salão de Artes Plásticas para Novos.

Rubinski diz que a palavra artista “é muito grande”. “Não existe definição, existe um ideal que deve ser feito com vontade e honestidade, assim como todo trabalho”, afirma categórico.

Foi professor na Casa Alfredo Andersen durante dez anos e chefe da Seção de Belas Artes da Biblioteca Pública do Paraná. Deu aula para professores de arte e afirma que toda pessoa tem um talento a ser desenvolvido que pode ser incentivado pelos professores e educadores. Fala sobre a importância da pintura, e mais, sobre o ensino da técnica. Diz que cada autor tem uma “cor”.

Entre as premiações que o artista conquistou no Salão Paranaense de Belas Artes estão a Medalha de Bronze em 1959, Medalha de Prata em 1963, e Medalha de Bronze e Prêmio Aquisição em 1964.

A historiadora e crítica de arte Adalice Araújo (1931-2012), em um texto sobre o artista, analisa: “Mario Rubinski é um dos artistas paranaenses mais próximos do espírito metafísico. Após várias experiências volta-se para natureza, porém, com nova bagagem – isto é – com uma sensibilidade purificada pelas pesquisas abstratas. Comungando com a estética metafísica ‘santifica a realidade’ surgindo paisagens simplificadas, compostas sem detalhes, depuradas na forma e na cor”.

Aos 84 anos, Rubinski continua na ativa no ateliê em sua casa, com seu jardim bem cuidado, suas laranjeiras, jasmins, mamoeiro, amoras, orquídeas e limoeiros. Saí com a promessa de mais uma conversa e alguns limões na bolsa.

 

Crédito foto: Milena Alves

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