Prateleira. Ed. 192

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O último dia de Cabeza de Vaca

Dédallo Neves

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Acho o seu melhor livro. E é um abuso dizer isso logo nesta data. Fábio Campana acaba de lançar um livro de poesia – O ventre, o vaso, o claustro – mas não é dele que quero falar (nesta edição da Ideias há uma matéria da Jessica Stori a contar a bela noite do lançamento e o leitor pode encontrar seu fabuloso e fresco livro na livraria mais próxima). O último dia de Cabeza de Vaca, de 2005, foi a primeira vez que me aproximei do Fábio. E fiquei maravilhado, como deve ter ficado o protagonista quando se deparou com as Cataratas, o primeiro europeu a chegar lá. É uma ficção, com informações reais do período da descoberta do Novo Mundo em que aventureiros – como o Cabeza de Vaca – se arriscavam para buscar qualquer sentido na própria e em todas as vidas, é um exercício de se perder numa esquizofrenia entre o dito e o não-dito. Sobretudo, como observou atentamente Marcio Renato dos Santos, na orelha, é um livro sobre o homem e suas condições; sua permanência e sua teleologia sem fim; sua dialética sem mudança. O último dia de Cabeza de Vaca é uma obra de arte.

Poesia reunida

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Privilégio, no vulgar, é aquilo que um indivíduo, um grupo ou uma instituição tem ou recebe por ser alguém ou pertencer a algo. A Ideias dota do privilégio de mensalmente “ter” João Manuel Simões em suas páginas com reflexões, críticas, opiniões. Aos comuns, que não recebem mensalmente o texto de Simões datilografado, não se afobem, não. O poeta português gentilmente cedeu suas poesias ao mundo e podem ser encontradas no livro Poesia reunida, com um estudo introdutório de Sueli Aparecida da Costa Tomazini.

As escolas de samba do Rio de Janeiro

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Sérgio Cabral, o pai, que passa bem longe da política, fez primoroso trabalho histórico, desprezado por muitos historiadores que argumentam com pouca inteligência o fato de ele ser jornalista, sobre o samba. Entrevistou figuras icônicas, como Ismael Silva, Carlos Cachaça, Cartola, Zé Kéti, para entregar aos leitores a trajetória do brasileiríssimo ritmo. Começa com sua “invenção”, na casa da Tia Ciata e chega até a contemporaneidade com o Sambódromo. Após toda a narrativa, as entrevistas realizadas estão disponíveis no capítulo “Personagens”.

Mas será o Benedito?

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Não é um livro pra sentar e ler do começo ao fim. A começar que Mário Prata, o autor, diz ser um “dicionário de provérbios, expressões e ditos populares”. Cada expressão tem o significado e o histórico. O primeiro faz correspondência com a realidade, o segundo é pura invenção de Prata e o lugar em que mora o riso. O escritor cris as mais estapafúrdias histórias para explicar o surgimento das expressões.

Modigliani

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De família judaica, Amedeo Modigliani nasceu em 1884 em Livorno, na Itália. Durante a vida teve uma saúde debilitada, foi um “jovem de corpo fraco, mas com o espírito forte”. Em 1903, matricula-se no Instituto de Belas Artes de Veneza, dedica-se aos mestres antigos e após se insere no simbolismo. Depois da recusa, em 1909, da baronesa Marguerite de Hasse de Villers do seu quadro “A Amazona”, ele vai para a escultura. Toda a história de Amedeo pode ser vista no livro Modigliani – imagens de uma vida, através de fotografias, de cartas e de suas obras.

Ensaios

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Somerset Maugham disse certa vez que Truman Capote era “um estilista de primeira qualidade”. Ensaios reúne todo o brilhantismo do autor de Música para camaleões, Memória de Natal e Bonequinha de Luxo. São quase 600 páginas que abordam os mais diversos assuntos para se deliciar no texto de Capote.

Quando é dia de futebol

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Quando é dia de futebol vai além das quatro linhas, do escrete, da pelota. Carlos Drummond de Andrade é político, é engraçado, é irônico. Oferece-nos seu olhar sobre o fracassado Brasil – não o da CBF ou o da CBD –, aquele Brasil ministerial, presidencialista, miserável e sem emprego, ou seja, o Brasil brasileiro deste e de outros tempos. Apesar disto, Quando é dia de futebol nos faz acreditar no Brasil, afinal o futebol é o ópio do brasileiro, e Drummond o ópio da poesia.

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