Buenos bares

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Buenos Aires não é só conhecida pela sua bela arquitetura, pelo Teatro Colón, pelas suas inúmeras livrarias e cafés, pela sua Biblioteca, pelo seu entardecer. Nem só pelos seus escritores: Leopoldo Lugones, Julio Cortázar, Juan José Saer, Macedonio Fernández, Leopoldo Marechal, José Hernández e seu “Martin Fierro”, as irmãs Ocampo (Victoria e Silvina), Adolfo Bioy Casares, Domingo Sarmiento com o seu imprescindível “Facundo ou civilização e barbárie”, Evaristo Carriego. E Jorge Luis Borges. O Borges dos arrabaldes, dos pátios, dos tigres, de Palermo, dos compadritos, dos amanheceres, da poesia, dos ensaios, do Aleph, do Livro de Areia.

Buenos Aires é também os seus bares. Bares antigos, tradicionais, de belos e criativos interiores, tombados pelo Patrimônio Histórico por sua importância cultural, arquitetônica, histórica.

Carlos Dominguez, engenheiro civil, é um apaixonado pela fotografia, pelas viagens e pela documentação fotográfica dos locais por onde anda.

Esse gosto vem de longe, de quando tinha 5 ou 6 anos e passava muito tempo no restaurante de seu pai. Era o Restaurante Universal, na rua Saldanha Marinho, com a sua comida caseira e com a bela voz de tenor de seu pai espanhol. Dizia-se que seu timbre era semelhante ao de Plácido Domingo e atraía jornalistas, artistas, intelectuais e pessoas interessadas em boa convivência e comida honesta. Incentivado pelo pai, Carlos cantou até a puberdade, quando sua voz mudou. E, estando vizinho da Cinelândia da época, vivia outra paixão: o cinema.

O fotógrafo Lóris Foggiatto (Miló), seu padrinho de crisma, teve influência em sua trajetória fotográfica. Mas esta só desabrochou quando completou os quarenta anos. Engenheiro e funcionário da PMC, queria algo mais que satisfizesse sua criatividade, sua inquietação. Queria produzir um trabalho pessoal, a documentar suas diversas viagens. A partir daí o senhor Luiz Carlos Dominguez Garcia passou a patrocinar o trabalho fotográfico do Carlos Dominguez.

Dos países que visitou, Espanha, França e Argentina tiveram o privilégio de seu olhar. Mas a Argentina, ou melhor, Buenos Aires é que está gravada em seu coração e nos seus olhos. Não podia ser diferente pois começou a visitar a cidade com 12 anos de idade.

Depois de muitas visitas dedicou-se ao registro dos bares. Com a ajuda do Patrimônio Histórico e Cultural da Cidade de Buenos Aires e de sua irmã, historiadora, pesquisou a história dos bares tombados. Levou alguns anos para reunir o material que já expôs em Buenos Aires e, também, aqui em Curitiba na Biblioteca Pública do Paraná. Deu o feliz nome de “Buenos Bares” a sua exposição. Há dezoito anos que Carlos expõe as suas fotografias – “Norte da Espanha”, “Imagens da França”, “Normandia e Bretanha”, “Argentina una pasión”. Já recebeu alguns prêmios.

Carlos é um autodidata que começou a fotografar com uma câmera analógica Kodak Rio 400. Depois vieram uma Pentax com uma objetiva 20mm f/2.8, uma Leica R8 com uma 50mm. Hoje trabalha com uma Panasonic Lumix GX1. Uma particularidade: só fotografa a cores e nunca fotografou em P&B.

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