Feijoada da Cris Mascarenhas

vicente

Cris Mascarenhas é daquelas pessoas de muitos talentos e que veio ao mundo com uma energia descomunal para usar todos. Além de produtora, executiva, memória musical, Cris é ótima na cozinha, o que já a fez empresária do ramo. Hoje, ela dedica seu talento de chef no preparo de pratos fantásticos para receber amigos à sua mesa. Uma curiosidade. Cris não tem especializações. Nem mesmo entre o doce e o salgado. É ótima em todas. Faz sobremesas de cair o queixo. Fábio Campana jura que não há outro pudim de claras no universo que se compare ao da amiga.

Dia desses ela recebeu a caterva de famélicos da terra para a sua feijoada, que também é ímpar. Ela se dispôs a revelar ao mundo sua receita e seus métodos. Aí vai, nas palavras da própria Cris Mascarenhas, um bom roteiro, mas é necessário dizer que não basta segui-lo, é preciso ter a mão e a sensibilidade da autora. Vamos à obra:

“Primeiro acredito piamente que feijoada foi inventada para reunir amigos, porque é impossível fazer uma boa feijoada sem fartura. Tem que ter pé, rabo, carne seca, costelinha defumada, costelinha fresca. Sim, costelinha fresca, que eu passei a adicionar e não dispenso. Mais paio, calabresa, joelho, lombo defumado. Só para cozinhar isso tudo já vai 1 kg de feijão. Como coloco em média 3 unidades de cada por pessoa, cozinhei 2 kg de feijão preto. Logo se vê que a feijoada tem que ser feita para muitos amigos e, portanto, generosa. Mas vamos ao modo de preparo:

Um dia antes fervo os pés e rabos trocando a água por três vezes. Além de retirar o excesso de sal, retira a gordura. Depois de esfriar, observo as peças, não admito um pelo sequer. Lavo bem a costela defumada e a carne seca, que leva uma bela fervida para dessalgar. Coloco o feijão para cozinhar com todos os ingredientes, acrescento uma laranja inteira com casca e tudo, faço um corte em cruz, se precisar vou trocando, pois ela serve para absorver o excesso de sal.

Conforme cozinham as carnes, retiro e separo as peças ao seu tempo. O paio e a calabresa ficam prontos primeiro, costelinha fresca depois e os demais vou retirando conforme a macies.

Depois de retirar todas as carnes, coloco no feijão três a quatro folhas de louro. Sem esquecer de um bom copo de cachaça (uso uma curtida em barril, de Morretes) que serve para engrossar e dar sabor ao caldo. Bato no liquidificador três cebolas médias e uma cabeça de alho, até virar creme. Numa frigideira alta deixo fritar (bom dar uma mexidinha de vez em quando). Despejo no feijão e testo o sal. Perceberam que não usei nada de sal na feijoada?

Então volto para a panela todas as carnes e deixo ferver bastante, sempre verificando se o caldo engrossou. Quando as carnes ficam macias, o caldo grosso e o feijão cozido está pronta a feijoada.

Para acompanhar, arroz branco com alho e cebola cortados na ponta da faca, bem miudinho. Frito bastante bacon e toucinho em cubinhos e reservo para colocar na couve, que deve ser cortada bem fininha e feita na hora de servir. Faço uma farofa bem generosa com bastante linguiça e bacon e um tablete de manteiga. Assim fica saborosa, úmida e irresistível.

Não pode faltar um vinagrete de cebola, tomate italiano, pimentão amarelo, verde e vermelho, cortados delicadamente e temperados com vinagre de maçã, sal e azeite de oliva.

Não pode faltar também a laranja, pois ela é fundamental para fixar no organismo o ferro que a feijoada contém.”

Leia mais

Deixe uma resposta