O estresse e a memória

edmilson

O século XXI nos trouxe muito conforto. Vivemos em condições muito melhores que nossos antepassados. Temos ambientes climatizados, carros automatizados, fazemos compras em shoppings com todo conforto que pode ser oferecido e tudo o que a tecnologia nos presenteia diariamente.

Entretanto, temos muito mais pessoas disputando emprego, muito mais pressão nos nossos trabalhos, enfrentamos problemas de segurança, de trânsito etc.

Aumentou demais a nossa correria do dia a dia, com isso fazemos uma coisa pensando em dez. Estamos de corpo presente em um local, porém a mente longe dali. Perdemos o foco. Não estamos inteiros. Não estamos vivendo o aqui e agora. Estamos vigiando com o passado ou nos preocupando com o futuro.

Finanças, segurança, educação dos filhos, relacionamentos difíceis, tudo, enfim nos ocupa a mente.

Se fizermos uma análise criteriosa da situação, chegamos à conclusão que nosso problema não é memória, e sim concentração. Claro que uma coisa afeta a outra, porém são enfoques completamente diferentes.

Abrimos demais o nosso leque de pensamentos e a partir daí, criamos preocupações desnecessárias: – E se isso acontecer? – E se aquilo der errado? – E se, E se… É a síndrome da atenção antecipação de problemas. Criamos inúmeras possibilidades e ficamos reféns das mesmas, com sofrimento garantido por antecipação. Algo que pode nem acontecer e que, provavelmente, não aconteça. Ah! Mas se há uma chance, por menor que seja, por que a descartar? E aí gera-se as ansiedades e angústias que nos assolam.

– Onde estão meus óculos? – Normalmente estão em cima de sua cabeça!

– Onde pus as chaves do carro? – Dentro da sua própria bolsa!

Situações ridículas do dia a dia que nos expõem a esse mico, tudo porque estamos sempre com pressa. Automatizamos nossas reações. Paramos de pensar. Não agimos; apenas reagimos. Então, quando for colocar a chave do carro em algum lugar, repita para você mesmo: estou colocando a chave na mesa ou bolsa, seja lá onde for; porém preste atenção naquele ato e verá como metade dos seus problemas de memória estarão resolvidos.

Os demais são próprios da idade, alimentação, treinamento, sono, tudo mais que turbina ou piora nosso cérebro.

Lembrando-se sempre que para podermos ter uma boa memória o cérebro tem que esquecer muita coisa que o temporariamente ocupa nosso arquivo. Por mais paradoxal que possa parecer, esquecer é tão importante quanto lembrar.

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