Prateleira. Ed. 193

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O paraíso são os outros

prat1_mae_capaQualquer leitor atento ao tomar conhecimento da obra de Valter Hugo Mãe perceberá o envolvimento com Jean-Paul Sartre. Aos que estão neste mundo apenas de passagem e um pouco avoados cabe a explicação: na peça Entre quatro paredes, de Sartre, há a passagem: “o inferno são os outros”, que entrou no hall da fama de frases prontas para causar efeito e por vezes esquece-se da tensão filosófica que há nela. No livro de Mãe, tal qual na peça do francês, uma menina narra a história e observa como são os casais – animais e humanos. Ao imaginar a vida dos outros, sonha com a sua pessoa desconhecida que um dia há de amar.

Desafio

 

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Jessé Souza desafiou a produção intelectual inconteste no Brasil em A tolice da inteligência brasileira, de 2015. Nomes como Sérgio Buarque de Holanda, Roberto DaMatta, Raymundo Faoro, Florestan Fernandes foram postos em xeque. Souza duvidou da maneira como eles pensaram o Brasil e os acusou, ora por interpretações equivocadas, ora de servir a determinadas ideologias, e fez tudo isso numa linguagem simples, para o leitor que não está familiarizado com os debates acadêmicos digerir.

A perda de si

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A perda de si faz parte, junto com outros livros que compõem a coleção Marginália, de um universo literário marginal, palavra um pouco ruim para esta definição. Cartas, diários, artigos e papeis avulsos entram nesta marginalidade. As cartas em A perda de si são do francês Antonin Artaud, poeta de versos virulentos e perturbadores, que precisou pagar com a vida por estar na contramão da sociedade de seu tempo.

Cortázar e o jazz

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O conto O perseguidor, publicado separadamente da obra As armas secretas (1959), pela Cosac Naify mostra a relação de Julio Cortázar com o jazz. O texto foi inspirado e dedicado ao saxofonista Charlie Parker e aborda a relação entre o crítico Bruno e o músico Johnny Carter. Uma amizade marcada pela tensão entre o artista, instável e atormentado, e o crítico, que pretende compreender sua obra e apresentar sua relevância ao grande público.

Marina Tsvietáieva

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A vida de Tsvietáieva (1892-1941) foi conturbada, seu final trágico. Viveu o período das duas guerras, assistiu a Revolução Russa. Exilou-se. Suicidou-se. A escritora russa viveu rupturas e descontinuidades, tal qual sua poesia. A Travessa dos Editores, em 2005, editou seus poemas no livro Marina. Décio Pignatari traduziu e escreveu os prefácios desta obra prima.

Maiakóvski

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É tido como o maior poeta russo da modernidade. Alcunha pequena para o tamanho da poesia maiakovskiana. Em Maiakóvski, traduzido por Boris Schnaiderman e por Augusto e Haroldo de Campos, é possível encontrar o tamanho desta poesia: política, cotidiana, sensível. Tsvietáieva – citada na nota ao lado – em poema, de 1921, para e sobre Maiakóvski dissera: “... Ele é dois: a lei e a exceção, / Ele é dois: cavalo e cavaleiro. / Toma folego, cospe nas mãos: / Resiste, triunfo carreteiro...”

multiverso

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O nome do livro de Eudes Moraes é assim mesmo como o título desta nota, no minúsculo. As poesias que o compõem já não. E em sua introdução Eudes diz: “Cada palavra merece ser refletida”. Seguindo a lição do poeta, vamos à reflexão: o título em minúsculo põe todas as poesias no mesmo patamar, de qualidade, importância e desfrute; as poesias com suas caixas altas se destacam entre si, cada qual quando lida sendo a mais importante do livro, em qualidade, importância e desfrute. Para o leitor compreender esta pobre análise, é necessário tomar o multiverso nas mãos e assim entenderá que a obra de Eudes Moraes ultrapassa em muito o que aqui foi debatido, em qualidade, importância e desfrute.

Kozer

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Íbis Amarelo Sobre Fundo Negro, é a única tradução do escritor cubano José Kozer. O empenho da edição foi da Travessa dos Editores, a tradução ficou a cargo de Cláudio Daniel, Luiz Roberto Guedes e Virna Teixeira. A poesia de Kozer certamente é latina, é marcada por esta construção e descontinuidade entre o novo e o velho, o erudito e o popular ou nas palavras de Claudio Daniel, que assina a introdução da obra, “uma ópera ao mesmo tempo barroca e moderna”

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