Muito prazer, Temeroso

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Antes de começar a falar de meus momentos relevantes na história deste país, dar-me-ei a oportunidade de esclarecer um assunto importantíssimo: meu primeiro nome não é Fora. Por obséquio, parem de me chamar assim. Escrevo isto porque verba volant, scripta manent, ou para quem não frequentou as aulas de latim que tive a grande oportunidade de apreciar não só na faculdade como também no ginásio, em português significa: as palavras voam, os escritos permanecem.

Eu tenho orgulho de ser presidente. Convenhamos, é uma coisa extraordinária. Para mim, é algo tocante. Não sei como Deus me colocou aqui. Como eu sempre digo, tem que manter isso, viu?
Acusações pífias dão conta de que flagraram-me em conversa com o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Este senhor desfia mentiras em série, proclama inverdades.

Fizeram uma gravação clandestina que foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. Acusaram-me levianamente. E eu interrogo-vos: onde estão as provas concretas de recebimento de valores? Inexistem. Na denúncia eu percebo que reinventaram o código penal e incluíram uma nova categoria – a denúncia por ilação.
As senhoras e os senhores realmente creem que eu pediria algo a este homem? Não é de meu feitio um comportamento mendicante.

Há quem queira me tirar do governo para voltar aos tempos em que faziam tudo o que queriam com o dinheiro público e não prestavam contas a ninguém. Digo com toda segurança: o Brasil não sairá dos trilhos. Eu continuarei à frente do governo. E mais uma coisa, não pense em crise, trabalhe.

Em respeito aos 3,4% de brasileiros que apoiam meu governo, não renunciarei, repito, não renunciarei.
Aproveito a digníssima oportunidade de conversar com os senhores e as senhoras para falar destas 3,4% de boas almas brasileiras. Identificá-las-ei para que não pairem dúvidas de que tenho aprovação: os três virgula quatro por centro de aprovação foram conseguidos com Marcela, Jucá, Marun e Michelzinho, respectivamente. Tem que manter isso, viu?

Troquemos de assunto. Falemos de coisa mais agradável. Eu tenho absoluta convicção, até por formação familiar, por estar ao lado da Marcela, o quanto a mulher faz pela casa, o que faz pelo lar, o que faz pelos filhos e, portanto, se a sociedade, de alguma maneira, vai bem, quando os filhos crescem é porque tiveram uma adequada educação e formação em suas casas. E seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher. O Michelzinho é prova disto.

E tem mais, as mulheres vão ao supermercado e sabem em que momento da economia estamos. A própria Marcela é provável que deva saber. Mulheres fazendo compras para preparar o jantar para os maridos: tem que manter isso, viu?
Feito todos estes esclarecimentos, cordialmente despeço-me.
Muito prazer, Temeroso.

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