Editorial. Ed. 194

Preparem coração e mente. Quem não tiver estômago forte não se aproxime. A campanha eleitoral já começou. Foi inaugurada em alta voltagem e com sinais muito claros de que a disputa vai descer às cloacas. Os marqueteiros nativos parecem convencidos de que a única forma de encarar o desafio eleitoral é atacar o adversário da forma mais pesada possível. Do contrário, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

São as circunstâncias. Como a campanha será curta devido à Copa, os analistas consideram que não há espaço, nos 45 dias da reta final, quando o debate eleitoral chega à televisão, para o que chamam de “efeito avalanche”. Um comandante político da oposição petista, menos otimista que os demais, chega a afirmar que é mais provável uma morte súbita de um dos candidatos adversários do que um crescimento súbito de um deles.

Há o fator artístico. Todos os candidatos acreditam que podem chegar lá ao usar seus dotes de camelô, palhaço ou ator melodramático. É claro que só isso não basta. É preciso dinheiro, dinheiro e mais dinheiro para custear uma campanha eleitoral. Mas se o candidato não conseguir se diferenciar na multidão, não há fortuna que possa salvá-lo. Está ralado.

Nessa busca dos políticos por algo que possa destacá-los dos demais, há todo tipo de inspiração. Sobram candidatos que adotam nome de bicho para chamar a atenção. É o caso do Cobra, candidato a deputado estadual. Ou o Tigrão, a deputado federal. Adriano da Silva Oliveira quer ser eleito deputado estadual com o apelido de Bacurau, pássaro raro. Sanlai Araújo, modesto, adotou Baratinha em seu nome.

E os messiânicos? Pastor Divino Cruz é candidato a deputado federal. Jailton de Jesus da Rocha abriu mão do nome bíblico original para adotar o inexplicável Branco do perfume e do enxoval. Há gosto para tudo. Temos Mestre Drácula, nome de urna de Maurício Beraldi. O Ewerson Alves da Silva quer se eleger com um trocadilho: Clark Crente. Gevanildo Lino quer uma das trinta vagas em Brasília usando o nome de Cascão.

A bizarria não é coisa nossa. Cowboy Beleza, Paulinho da Refrigeração e Tomé do Pau Branco são candidatos no Rio. Os mineiros podem optar pelos candidatos a deputado federal Dinho do Bar, Palhaço Freak, Mister M, Hie Hie e Ronaldinho, um sósia do jogador do Atlético-MG. Os paulistas terão como opções Magno – Ornitorrincos, Chico Loco, Tio do Doce, Dr. Verme e Battman.

E Tiririca, o deputado federal mais votado do Brasil em 2010, tentará a reeleição, mas não será exclusividade do eleitorado paulista. Os goianos também terão um Tiririca para chamar de seu, candidato pelo PSL. Pois, pois, neste festival que atesta a pouca crença na seriedade da política no Brasil, no que tem toda a razão, não há grande diferença de caráter e intenções do time que adota nomes estranhos, que realmente podem diferenciá-lo, senão como bons políticos, como piada, dos políticos que fazem pose de estadista e juram que estão nessa pela felicidade geral da nação.

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