Fantasias sociográficas

mazza

Quando no Oeste do Paraná houve o que os sociógrafos chamaram de encontro entre a bombacha e o chapéu de couro na comunhão entre migrantes nordestinos em meio à esmagadora maioria gaúcho-catarinense, não poderiam imaginar que justamente os grupos referidos na região de Céu Azul iriam dividir-se num plebiscito que consagraria a emancipação de Santa Bárbara do Oeste que levava a vantagem demográfica. Nem sempre as divisões municipais se dão em motivações desse porte e temos aqui na Região Metropolitana o exemplo de Fazenda Rio Grande, que era distrito de Mandirituba e que acabou, por força da polarização (a de ser mais próxima de Curitiba e poder transformar-se num subpolo urbano-industrial como está acontecendo), obtendo sua carta de alforria e para finalidades ambíguas que vão da captação do lixo da Capital à sede de fábricas de multinacionais.

O discurso laudatório – aquele que insiste sempre na tecla da “unidade na diversidade”, tão ao gosto de Bento Munhoz da Rocha para conceituar o Paraná como “síntese do Brasil” – não ignora a possibilidade de conflitos por causa de estilo e concepção de vida diversos. Há muitos catarinenses mormente no Oeste e Sudoeste de origem açoriana que não ousariam certamente reproduzir lá práticas como a da farra do boi. O boi foi muito cultuado em Paranaguá, também pela raiz açoriana – mas não naquela caça, na qual há algo de místico-religioso, e bem expressa simplesmente na pura manifestação folclórica do boi de mamão (ou bumba meu boi) e tão arraigada que nos anos quarenta eram comuns os ranchos carnavalescos que dividiam geograficamente a cidade em o boi do norte e o do sul.

Dos fenômenos territoriais mais distintos os da municipalização cafeeira: a pegada pioneira era tão intensa, dados os frutos da economia, que havia o fenômeno das cidades-cogumelo que cresciam por cissiparidade e formaram o colar urbano distinto das polarizadas hoje por Londrina e depois por Maringá e antes pelo Norte Pioneiro. No Oeste-Sudoeste isso não foi diferente e deveu-se à guerrilha dos posseiros e posteriormente à regularização das terras por Ney Braga-Jango Goulart o seu ponto de consolidação do qual a separação de Santa Bárbara do Oeste de Céu Azul é apenas um bom sedimento como se deu com tantas outras.

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