Fotografias de uma artista plástica

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Tenho a impressão, posso estar enganado, de que nos dias que correm os artistas dedicados a qualquer arte – cinema, fotografia, teatro, literatura, música, dança, pintura, escultura – têm a premente obrigação de fazer algo de novo. De novíssimo, de diferente. Se não o fizer, se apresentar uma obra que lembre, ainda que vagamente, uma outra já será visto como um diluidor. E escutará a frase: “Isto já foi feito!”. Com ponto de exclamação. O olhar deste artista será automaticamente confrontado ao que já tenha sido feito anteriormente. Sua obra será julgada deste modo sem que o julgador veja nela uma visão artística intransferível, pessoal como é uma obra de arte.

Presumo que é resultado do muito que se fala hoje em dia, com ou sem conhecimento de causa, sobre os mais variados assuntos. E a arte, essa (in)utilidade sem a qual nossa vida seria mais triste, espiritualmente mais pobre, aquele “caminho mais curto de um homem a outro”, como bem disse Claude Roy, é a que se mais presta a mal-entendidos.
E é para evitar um mal-entendido que escrevi o que vai acima. E para apresentar umas fotografias das quais gostei feitas pela artista plástica Luciane de Oliveira Franco.

Lu Olliver Francco, como é conhecida, estudou pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná onde entrou em 1988. Ainda como aluna, atrevida no dizer dela, fez sua primeira exposição com o apoio da professora Maria Cecília Araujo Nogueira. Em 2006 o Solar do Rosário publicou um livro sobre o seu trabalho na coleção “Arte do Paraná – Lu Franco, a pintora dos jeitos e trejeitos.” O seu trabalho de pintura dá ênfase à figura humana. Com a fotografia a figura humana dá lugar à paisagem urbana.

Foi em Campinas que entrou em contato com a fotografia no ano 2000. Frequentou o Instituto de Artes da Unicamp no Departamento de Multimeios. Dentre as matérias que acompanhou e que lhe abriram a mente para a reprodução mecânica, a fotografia, destaca a Antropologia da Fotografia e a relação entre a fotografia e o surrealismo.

Começou a fotografar com uma câmera analógica Vivitar e frequentou aulas de ampliações fotográficas em P&B. Depois de um hiato entre 2003 e 2009, quando se dedicou exclusivamente à pintura, agora já munida de uma visão fotográfica, voltou seus olhos para a fotografia.

A câmera digital e o programa Photoshop possibilitam à artista trabalhar as suas fotos. Ela faz interferências nos cortes e nas cores. Nos cortes com dípticos e trípticos e nas cores com a adição de filtros.

Os puristas fazem um muxoxo e defendem a “pureza” da fotografia. Mas vários fotógrafos, já no início da fotografia, faziam intervenções em sua fotos com auxílio das químicas e do laboratório. Lu não se considera uma fotógrafa. Utiliza a fotografia para fazer a sua arte. As fotos escolhidas para este ensaio são variações sobre três das que tirou em Manhattan, cidade de Nova York.

Para conhecer o trabalho da artista: @luolliverfrancco.

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