Meu Brasil brasileiro

fabio

Neste país de coqueiro que dá coco e do mulato inzoneiro, a população prepara-se para a época de festas que vai do Natal à temporada de praia e só arrefece depois do carnaval. Deve estar farta do noticiário político que virou noticiário policial. E vem mais por aí. O ministro Luís Roberto Barroso diz que “a corrupção não tem partidos. Em poucos meses, explodiram escândalos em um Ministério, em um importante Estado e em uma importante prefeitura”.

Ora, pois, enquanto os brasileiros curtem o futebol, a praia e os preparativos do carnaval com certo alívio porque alguns graúdos foram presos por corrupção, sofrem outro assalto, o mais grave de todos, assalto muito maior que esfola o cidadão.
O total de impostos pagos neste ano já superou R$ 2 trilhões. Esse monumental volume de dinheiro entregue aos governos reduz a capacidade de investimentos das empresas e a possibilidade de compra dos indivíduos; desestimula a iniciativa individual – pois, num bom número de casos, ganhar mais significa receber menos, já que o imposto dá um salto.

É tanto dinheiro que permite gastos públicos injustificáveis – dos milhares de funcionários do Congresso à gigantesca frota de carros para governantes e políticos em geral, dos recursos para a corrupção às mordomias oficiais.

Há muita corrupção neste Brasil brasileiro e combatê-la é importante. Mas não tão importante quanto a Grande Esfola Tributária, mãe de todos os casos de ladroeira governamental. Nossa cultura política não permite indignação maior diante do abjeto cotidiano de nossos políticos.

A grande dificuldade que temos é a de perceber o Brasil como ele é. Preferimos, desde sempre, as versões do otimismo retumbante, eivado de um ufanismo que beira o ridículo.

A verdade é que o Brasil carece de muita coisa. Não temos sequer um projeto de integração com o resto do mundo, o que justifica o pouco interesse do capital estrangeiro em algumas pérolas oferecidas pelo governo. O economista Edmar Bacha aponta o isolamento do Brasil. Ora, pois, somos o único país grande na escala das maiores economias do mundo que exporta pouco e importa pouco. Estados Unidos, China e os países da Europa juntos são as maiores economias e os três maiores exportadores.
Pois, pois, o Brasil é a sétima economia e é o vigésimo quinto em exportação, atrás até da fechada Índia, que é a décima primeira economia e a vigésima primeira no ranking dos exportadores.

Bacha nos lembra que, em 1970, o Brasil exportava o equivalente a 7% do PIB e hoje exporta 12%. Nesse período, a Coreia do Sul foi de 14% para 54% de exportações. Na época a renda per capita da Coreia era menor do que a nossa. Hoje é o dobro.
No ranking de abertura às importações feito pelo Banco Mundial, de 176 países, o Brasil está em 176.º lugar em importação como percentual do PIB. O Brasil recebe bastante capital estrangeiro, é verdade, mas somos o único país em que as multinacionais vêm não para se integrar às cadeias mundiais de produção, mas para produzir para o mercado local.

O Brasil, em sua histórica tradição protecionista, se recusa à integração a cadeias globais. Prefere criar barreiras ao ingresso de produtos com uma parafernália de impostos e pedidos de exceção nesses impostos. Imaginem a burocracia que isso demanda.

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