Muito prazer, Mendes

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Dia sim e no outro também, estou nos jornais. Quando alguém, que não sou eu, brilha, modéstia às favas, só acontece por causa de mim. Por exemplo, o ministro Herman Benjamin apareceu na televisão do Brasil todo. Eu como amigo dele, contribuí para isso, então ele me deve.

Este negócio de ser ministro, de usar esta capa, causa um cansaço, mais ainda quando não concordam comigo. Por isso abandono a sessão quando estão me aporrinhando. Não me interessa que me chamem de grosseiro, arbitrário e incorreto. Não estou nem aí. Por isso falei mesmo ao Barroso, excelência no Tribunal, que eu não sou advogado de bandido internacional. Ele disse que eu mando soltar bandido. Mando mesmo, e daí? Eu posso dizer sem problemas que quando fui o presidente do STF mandei soltar 22 mil presos. Eu não faço populismo com prisões.

Eu não tenho medo de ser autêntico, de falar a verdade. Se não gostarem, que vão todos às favas. Por exemplo, se havia um setor no TSE que era um faz de contas, era o setor de contas. Só se juntavam papéis lá, sem fazer nada. Fiscalização de contas eleitorais que é bom, nada.

Sobre o PT? Todo mundo sabe que eu não gosto, e daí? Ministro de Tribunal Superior por acaso não pode ter opinião, lado, partido? Tá na minha cara quando falo do tal PT, porque é o que mais leva vantagem na captação de recursos das empresas privadas e fica se fazendo de Madre Tereza de Calcutá, defendendo o fim do financiamento privado. E digo mais, o modelo de governança corrupta deles deveria ter o nome claro de cleptocracia.

Lembram do final do regime alemão? Descobriram que os quadros do partido tinham quadros, tinham dinheiro no exterior, é a mesma coisa que vivemos hoje com este partido.

Sabe o que me deixa de boca aberta? As decisões dos meus colegas excelências do Supremo. Concordaram em afastar o Aécio, vocês acham isso certo? Pensem comigo, nós temos já vários senadores e deputados com denúncia recebida. Nesse caso, também nós deveríamos afastá-los? E aí nós podemos afetar a Câmara? A Câmara fica com composição não de 513, mas de 512, 510. Quer dizer, o direito achado na rua, o neoconstitucionalismo, o direito constitucional da malandragem, permitem esse tipo de coisa. Desse jeito, eu e minha turma vamos acabar no programa dos Trapalhões e não sobra um no Congresso Nacional para contar a história. Pôxa!, o TSE cassa mais mandatos do que a ditadura. Daqui a pouco se o sujeito for excluído da torcida do Corinthians ou do Flamengo fica inelegível. É preciso moderar a sanha caçadora.

Essa lei foi tão malfeita que parecia ter sido feita por bêbados. E depois os bêbados protestaram dizendo que não fazem leis tão ruins.

E pra mim chega dessa conversa, vou me retirar da sessão. Ia falar do futuro, mas aprendi que prognóstico, só depois do jogo.

Muito prazer, Mendes.

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