O viés oblíquo de Carina Weidle

marianna

Carina Weidle cria no viés do erro, da imperfeição, do estranhamento. O ruído e o desconcerto provocam o questionamento, a reflexão, a ideia. Carina faz pensar. De modo oblíquo, profundo e crítico.

A artista transpassa as zonas cômodas, as áreas escassas, inventa um silêncio. Revela, sobrepõe, dilata. Como diz o escritor italiano Antonio Tabucchi, “a arte tem uma maneira oblíqua de dizer as coisas, buscando zonas obscuras, a dos naufrágios”. Frase que está em uma das páginas de sua tese: “DesAstres”, que se lê “desastres” e em francês quer dizer “os astros”.

Sua obra respira entre as frestas, inverte o pensamento linear, percorre uma linguagem única, constrói um imaginário, cria um cenário. A sensação é vertiginosa, todavia com os pés fixos no chão. Marcas, pegadas, registros. A obra de Carina abre canais, pois cria a dúvida e reverbera o pensamento. Ninguém sai ileso.

A artista, também professora de escultura da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), nasceu no Rio Grande do Sul e é formada em Pintura por essa instituição. Fez mestrado no Goldsmiths College e doutorado na USP e atua como artista visual nas áreas de escultura e instalação.

Carina trabalha atualmente em uma exposição em conjunto com a artista Ligia Borba, prevista para 2018, no Museu Oscar Niemeyer. Alguns trabalhos serão inéditos e outros figuram já na tese “DesAstres”, defendida pela Universidade de São Paulo em 2014.

Suas obras estão nos acervos de museus e galerias como o Museu Oscar Niemeyer, Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), Hayward Gallery, em Londres, entre outros.

Crédito foto: Kraw Penas/SEEC

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