Prateleira. Ed. 194

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Definição de “Os trabalhadores do mar”

prat_victorhugo_capaSegue aqui transcrita a melhor definição encontrada sobre o livro “Os trabalhadores do mar”, de Victor Hugo:

“A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o tempo, precisa criar, daí a cidade; precisa viver, daí a charrua e o navio. Mas há três guerras nestas três soluções. Sai de todas a misteriosa dificuldade da vida. O homem tem de lutar com o obstáculo sob a forma superstição, sob a forma preconceito e sob a forma elemento. Tríplice ‘ananke’ [do grego “necessidade” ou “fatalidade”] pesa sobre nós, o ‘ananke’ dos dogmas, o ‘ananke’ das leis, o ‘ananke’ das coisas. Em ‘Notre-Dame de Paris’, o autor denunciou o primeiro; em ‘Os miseráveis’, mostrou o segundo; neste livro indica o terceiro.”

Cartas ao presidente

prat_mailerO livro de Norman Mailer é instigante e gera a dúvida: em quantas democracias livros ao estilo de “Cartas abertas ao presidente: ensaios irreverentes dirigidos ao presidente John Fitzgerald Kennedy”, ou algo parecido, poderiam ser publicados? Temer permitiria? Há boatos de que a música de Gabriel O Pensador – “Tô feliz (matei o presidente) 2” – já causa grande incômodo no Palácio do Planalto. E obviamente que Temer não está à altura de receber críticas firmes que Mailer direcionou com inequívoca simpatia a John F. Kennedy.

Castro Alves

prat_castro (1)Castro Alves passou brevemente por essa terra que tem palmeiras, onde canta o sabiá. E diferentemente de Gonçalves Dias, poeta que se dedicou a exaltar as belezas brasileiras e muito passageiramente realizou críticas sociais, Castro Alves foi ativo, o mais destacado poeta condoreiro. Seus 24 anos foram suficientes para realizar os mais mordazes e arrepiantes julgamentos, principalmente aqueles referentes à escravidão, daí ficar conhecido como o “Poeta dos escravos”. O mais famoso de seus poemas é “O Navio Negreiro”. Outros, no entanto, podem ser encontrados em “Poesias de Castro Alves”, editado pela Conduta.

Juan de La Cruz

prat_lacruzEm “Pequena antologia amorosa”, Juan de La Cruz propõe à alma um caminho para encontrar Deus. Seu lirismo coloca-o como um dos grandes poetas místicos da história. O autor foi canonizado pelo papa Benedito XIII em 1726 e declarado Doutor Místico da Igreja por Pio XI dois séculos depois. Marco Lucchesi, na apresentação do livro, diz que Juan de La Cruz é “o poeta da noite escura, densa e profunda, mas de uma noite eminentemente divina, habitada pelo divino.”

Notas contemporâneas

prat_eca“Notas contemporâneas”, de Eça de Queirós, surpreende pela heterogeneidade dos assuntos tratados. O título da obra também nomeava uma seção que o autor assinava no jornal carioca Gazeta de Notícias, mas não se trata de uma compilação dos textos publicados. Alguns deles podem ser encontrados; outros, no entanto, não foram escritos para o jornal. O delicioso nesta obra é ter o pensamento de Eça de Queirós por ele mesmo.

Ideologia da cultura brasileira

prat_motaCom o recorte entre 1933 e 1974, Carlos Guilherme Mota traça o pensamento da intelectualidade brasileira. À época do lançamento, Florestan Fernandes disse: “Obra já clássica”. Antonio Candido lhe atribuiu a alcunha de “livro do contra”. A questão é que Mota perspicazmente desvela o ideário conservador tanto da direita quanto da esquerda brasileira, identificando o alicerce da visão senhorial por meio da qual os intelectuais pensaram o Brasil.

Veríssimo

prat_verissimo_musicaDedicado a Dyonelio Machado e Jorge Amado, “Música ao longe”, de 1934, deu a Érico Veríssimo o Prêmio Machado de Assis e o colocou no cenário nacional como um dos mais destacados escritores de sua geração. Foi com “Olhai os Lírios do Campo”, entretanto, que alcançou grande popularidade em todo o país, de Norte a Sul. Logo ganharia o mundo, com traduções nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Áustria, México, Noruega, Holanda, Hungria, Romênia, Argentina e na então União Soviética.

Otelo por Onestaldo de Pennafort

prat_onestaldo_capaA grande questão de ler Shakespeare em português é a tradução, obviamente. Alguns defendem que a melhor é a de Millôr Fernandes. Aqui há uma defesa de Manuel Bandeira no Jornal do Brasil em 10 de março de 1956: “Estou batendo esta crônica sobretudo para felicitar de público meu querido amigo Onestaldo de Pennafort, autor da tradução [de Otelo]. Já disse e repito: traduzir Shakespeare é como executar acrobacias de trapézio sem rede embaixo; a cada momento, quer dizer, a cada linha, se corre o risco do pulo no vazio. [...] Pois Onestaldo realizou o milagre de, sem se furtar à quase palavrada, preservar a nobreza do patos trágico. Tradução de grande força e estrita fidelidade, a sua! [...] Onestaldo deu nesta sua obra de tradutor toda a medida de sua inexcedível ciência de artista do verso. E só se pode ser tão grande artista quando se é tão grande poeta”.

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