A visionária Elizabeth Titton

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Elizabeth Titton é ativa, tem visão ampla e equilibra de modo singular a sensibilidade artística com a praticidade. Ela percebe no olhar do outro sua força, percebe nas entrelinhas da arte a confiança, vê no ensino a possibilidade da descoberta, de encontrar novos mundos.

Visionária, diz que a arte deveria estar nas ruas, na paisagem onde as pessoas andam, vivem, moram. “O belo deveria ser acessível, a vida muda quando se descobre outras paisagens”, diz, com a firmeza de quem recebeu uma carta do cobrador de um tubo do ligeirinho, que se disse agradecido por sua obra ter feito parte de seu dia a dia por um tempo, quando ela expôs na rua perto de um dos pontos. Beleza e gratidão. Elizabeth tem razão quando diz que arte transforma, exalta, faz pensar e sentir.

Topou com a arte por acaso, ou a arte a encontrou. Foi quando se mudou para o bairro São Lourenço e descobriu o Ateliê de Escultura no Centro de Criatividade do parque e ali ficou. “Poderia não ter acontecido, mas as circunstâncias me levaram a isso”. Por destino, acaso ou sina, a artista seguiu o caminho. Graduou-se em Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), foi professora e geriu instituições culturais.

Elizabeth Titton cria esculturas usando materiais como bronze, alumínio, madeira e cerâmica, buscando inspiração principalmente em elementos da natureza. Suas obras mais características são as esculturas de árvores, peças tridimensionais criadas a partir de chapas de aço bidimensionais, cortadas a laser.

A artista afirma que esse processo mais industrial permite que uma escultura seja reproduzida diversas vezes, democratiza o acesso à arte ao possibilitar que o valor de custo de uma obra diminua, sem comprometer o valor artístico.

Em 2017, participou da exposição “Em Honra ao Sagrado”, no Museu Oscar Niemeyer, com curadoria de Agnaldo Farias. Está na mostra “Expo Mix 2”, na Zuleika Bisacchi Galeria de Arte, e prepara uma nova exposição, prevista para este ano.

Elizabeth possui também o gosto de ensinar, de fazer com que a arte chegue a todos. Tema para ela tão fundamental, que fundou há quase 30 anos o Pró-Criar (1988), para aproximar crianças e adolescentes da arte. Posteriormente, o ateliê abriu espaço para adultos e oferece atualmente cursos de pintura, desenho, teoria da cor e escultura, sob sua orientação e de Paulo Dias.

“A arte deveria estar mais presente. Não tem como alguém saber se possui interesse por algo se não conhece”, afirma a artista, com a sabedoria e o alcance de quem é especialista no assunto.

Foto: Kraw Penas/SEEC

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