O que a mente projeta o corpo sente

edmilson

Se para um paraquedista profissional saltar de paraquedas pode ser um grande barato, uma grande diversão, para pessoas que não têm essa qualificação, tal situação seria um sofrimento – só em pensar nessa experiência. Mas como algo que não está sendo vivenciado pode me trazer sofrimento? Pelo simples fato de que é na mente que a experiência acontece. Nesse computador chamado cérebro, a experiência não precisa ser real. A questão é como eu a interpreto. Senão, vejamos: Estou em minha sala, deitado no sofá, assistindo a uma bela comédia, tranquilo e relaxado. Olho para o teto da sala e percebo uma rachadura. Posso dizer para mim mesmo: “Amanhã vou passar uma massa corrida nessa rachadura, pois esteticamente não está legal.” Volto para minha comédia e continuo relaxado. Se ao contrário disso, ao olhar a rachadura digo: “Meu Deus, eu não tinha visto essa rachadura, deve ter um problema estrutural muito grave na casa para ter uma rachadura dessas. Acho que esse teto pode desabar em cima de mim.” A partir daí começo a ficar inquieto e, à medida que a preocupação aumenta, vem a taquicardia, a respiração agitada, até o ponto de eu não conseguir ficar mais ali deitado por medo de o teto desabar. O que mudou, se é a mesma rachadura? A maneira como eu a interpretei. Essa é a grande questão no estresse. Como eu interpreto as coisas. Nossos problemas são mentais, pois somos escravos das nossas preocupações. Sabe aquela conta que vai vencer no dia 30 e eu começo a pensar nela no dia primeiro? Sabe aquela preocupação que desenvolvemos quando um filho diz que vai a uma festa e só voltará de madrugada e ficamos imaginando tudo o que poderá acontecer a ele? Trânsito, assalto, bebidas, etc… Por que temos esse viés de pensar no pior? Claro, o aconselhamento quanto aos cuidados devidos faz parte de nossa função como pais, mas a intranquilidade, a angústia, a insônia, acordando de hora em hora e olhando no relógio até ele chegar, faz parte das linhas do nosso imaginário. Se permitirmos, ele comandará. É como a rachadura: vai depender de nossa interpretação.

Corpo e mente: tantas evidências sobre a ação desse binômio, seu entrelaçamento e suas consequências. Como a mente influencia no funcionamento da máquina.

Já tive oportunidade de escrever há algum tempo sobre a biologia da crença. Como ocorrem transformações em nosso nível celular, influenciadas pela força do pensamento, muito bem documentado pelo pesquisador Brian Lypton.
Claro, existem pontos cegos que continuam a exigir pesquisas. É um campo vastíssimo, encantador, inebriante até. Percebem-se respostas do corpo em função do estado da mente nos processos alérgicos, inflamatório crônico, doenças da pele tais quais neurodermites, vitiligo (despigmentação da pele), psoríase (descamação e ressecamento em placas), todas secundárias ao emocional. Sendo a pele o maior órgão do corpo, parece ser o que mais sofre por influência da mente. Esse processo pode ser visto como exteriorização do que está guardado. Mas esse não é um “privilégio” da pele, nosso aparelho digestório também recebe muito impacto do conteúdo da mente. Gastrites e até úlceras secundárias a crises de estresse se fazem presentes frequentemente. Também nosso intestino sofre por agravamento de doenças inflamatórias, experimentando sensível melhora quando recebem intervenções psicológicas associadas à medicação.

Pessoas que ficam escravas de lembranças de situações traumáticas do passado, que as ficam corroendo por dentro, banhando seu organismo de cortisol permanentemente, percebem muito bem os benefícios da melhora física, quando conseguem trabalhar melhor essas lembranças.

Em 2008, o trabalho realizado no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, pelo professor Conall O’Cleinigh e sua equipe, demonstrou que o sistema imunológico de pacientes portadores de HIV melhorava muito quando eles conseguiam exteriorizar seus desejos e angústias.

Outro trabalho, na Universidade da Califórnia, em São Francisco, revelou que intensas preocupações existenciais em pessoas desempregadas inibiam a atividade de seu sistema de defesa, que se normalizava após a conquista do emprego.
Não há a necessidade do otimismo exagerado para a observação desses efeitos positivos da mente sobre o corpo. A simples tolerância consigo mesmo, gestos concretos de gentileza e simpatia já fazem um bem e tanto para o nosso corpo.

Num estudo feito na Pensilvânia, universidade de Carnegie Mellon, ficou comprovado que, três semanas após infectarem 334 pessoas saudáveis com o vírus do resfriado, o estado de humor e as atitudes dos participantes influenciaram nas suas recuperações. Independentemente de idade ou sexo, os impacientes mal-humorados foram claramente os que mais adoeceram.

Baseados em tudo isso, nossa batalha será de trabalhar as questões que mais nos preocupam, pois são essas questões que eu considero como verdadeiros cânceres mentais que mitigam nosso corpo, tirando dele a capacidade de defesa, ou pelo menos, diminuindo-a, abrindo as portas da saúde para diversos tipos de doenças, todas evitáveis já que são secundárias ao nosso estado emocional.

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