Editorial. Ed. 197

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As eleições deste ano prometem cenas e enredos mais escabrosos do que os das novelas da Globo, onde não faltam ladrões, assassinos, corruptos. Igualzinho ao noticiário político/policial. Em tempo curtíssimo, de enorme desinteresse dos eleitores pela política e pelos políticos, a guerra entre candidatos será de babuínos. Todos tentando enlamear o adversário com seu próprio excremento.

Nossa época continua uma choldra. Os fatos relevantes são os da polícia a prender corruptos, procuradores a acusar corruptos, juízes a julgar corruptos. A sensação é a de que a sociedade brasileira inteirinha deixou-se contaminar, que todas as instituições estão corroídas e que não há muito o que fazer a não ser torcer para que o próximo presidente da República, a ser eleito no final do ano, consiga colocar ordem na casa.

Tudo bem, a Lava Jato abriu as entranhas da pátria mãe tão distraída e nos fez ver um cenário degradante. Mas é preciso manter a racionalidade. Não se deve transformar esta circunstância em terreno fértil para a maledicência e as investigações em instrumento preferencial da política. Ora, pois, na contramão da decência, o PT vem se esmerando. Adotou a estratégia de acusar o tempo todo na esperança de que o distinto público esqueça as mazelas que praticou. Sim, o PT, que passou pelo poder durante 13 anos, quatro meses e 12 dias como uma nuvem de gafanhotos, devorou tudo o que viu à sua frente, destruiu a economia, deixou o país no fundo da maior recessão de sua história. Mas, para tantos intelectuais e artistas, o PT distribuiu renda, encheu as universidades e os aviões de ex-pobres, foi mais probo que Madre Teresa de Calcutá, e toda a corrupção que existe no país é obra do vampiro Michel Temer, que, aliás, foi eleito pelos coxinhas que batiam panelas contra o governo popular.

Isto sim é trágico. Ver que artistas e intelectuais petistas – aí incluídos alguns dos grandes bicheiros e chefões de facções criminosas que comandam as escolas de samba do Rio de Janeiro – usam fantásticas peneiras para separar o trigo do joio. Nas peneiras ficam políticos de diversos partidos que eram os aliados dos governos Lula e Dilma – PMDB, PP, PR et caterva. Já o próprio PT mais seus satélites PCdoB, PSOL, esses escapam milagrosamente através das frestas. São puros, quase tão puros quanto o líder maior, que, como bem disse uma marchinha que não foi cantada no Sambódromo, deveria ser proclamado papa – Papa Luiz 51.

Para o PT, só não há corruptos no PT. Todos conhecem a história do gato de hotel que era tão exigente que, quando lhe serviam café com leite, tomava só o leite e deixava o café. É assim que funciona o filtro dos artistas e intelectuais petistas: até o dia 12 de maio de 2016, eram todos da base aliada. No dia seguinte, alguns eram joio, outros trigo; alguns eram café, outros leite. A turma do PT era angelical – a outra parte da mesma turma era bandida, corrupta, golpista. Haja engov.

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