Curitiba supera o caos

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Quando assumiu a Prefeitura de Curitiba, Rafael Greca de Macedo herdou o caos resultante da absoluta inépcia de Gustavo Fruet e seu time para governar a cidade. Encontrou um rombo de R$ 2,1 bilhões no Orçamento, dívidas de R$ 1,2 bilhão, bairros abandonados, serviços à beira de fechar, medicamentos em falta, obras e manutenção paradas, fornecedores insatisfeitos, salários sob risco, desleixo com o transporte público, planejamento inexistente. E uma população de maus bofes.

Em pouco mais de um ano, Curitiba experimentou a superação. Deu a volta por cima. Com grandes dificuldades no início, voltou a manutenção dos bairros, a distribuição de medicamentos em dia, foi restabelecido o princípio da gestão responsável e com controle dos gastos, as obras foram retomadas, protagonismo, as dívidas foram sendo pagas, a renovação da frota de ônibus está em andamento. Pouco a pouco a confiança da população também se refez.
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“A superação e a volta da gestão foram a grande obra da prefeitura este ano: colocamos Curitiba de volta aos trilhos”, analisou o prefeito Rafael Greca ao fazer um balanço do ano. Ele não tem dúvidas sobre a linha de trabalho que elegeu. “Graças a Deus e a esforços muitíssimo grandes, conseguimos não apenas resolver os problemas herdados: pudemos alavancar projetos importantes, como o Saúde Já e a redução da fila na Saúde, voltamos a ter financiamento para grandes obras que serão tocadas em 2018, nosso Vale do Pinhão avança… Curitiba volta a ser Curitiba.”

De acordo com o prefeito, houve conquistas em todas as áreas administrativas e em todas as regiões da cidade. “O ano, que começou comigo tirando as cracas e ranços de sujeira das nossas ruas e praças, felizmente termina com 3,3 mil quilômetros de ruas que receberam tapa-buracos e mutirões de serviços em cinco regionais – as outras cinco receberão no começo do ano que vem –, além de várias outras ações”, exemplifica Greca.

Ele destacou que foi necessário tomar uma série de medidas importantes, que exigiram urgência ao longo do ano – como foi o caso, por exemplo, do Plano de Recuperação de Curitiba. “Nem sempre todas nossas medidas foram bem compreendidas. Muita gente gosta de reclamar sem avaliar os problemas com mais atenção”, afirma. “Mas é minha responsabilidade tomar as decisões com base naquilo que é o melhor para o conjunto da população curitibana; os resultados apareceram de forma muito clara.”

Vencidas as dificuldades iniciais, Greca avalia que agora a cidade vai se desenvolver melhor. “Sou o prefeito para fazer Curitiba voltar a crescer da forma como a população estava acostumada.”

Veja avanços deste ano

“Disse ao Fruet que sabia fazer e com alegria digo que fiz direito meu ofício de prefeito. A cidade não deve mais os R$ 2,1 bilhão que devia. Segundo ranking da Associação Brasileira das Secretarias de Finanças das Capitais, Curitiba tinha a pior liquidez em 31 de dezembro de 2016. Nós com certeza já recuperamos, teremos mais capacidade de investimento e vou poder pegar dinheiro com taxa de juros menores.” Quem diz é um Rafael Greca que não esconde uma ponta de orgulho e que passa a desfiar, área por área, os sucessos de sua administração.

 

Gestão fiscal
Há um ano: Déficit orçamentário de R$ 2,1 bilhões; dívidas de R$ 1,2 bilhão.
Hoje: Pagamento feito a 800 fornecedores; orçamento para investimentos dobrado; R$ 409 milhões para grandes obras em 2018; melhor gasto público entre as capitais; uma das três únicas capitais onde o investimento público cresceu.

Governo Municipal
Há um ano: Curitiba isolada e perdendo recursos de projetos.
Hoje: A cidade retomou o protagonismo e o relacionamento institucional; evitou a perda de recursos federais; os financiamentos voltaram: R$ 120 milhões só para ruas de saibro; liberação de R$ 99 milhões para Linha Verde, terminais Tatuquara e Vila Oficinas e Trincheira da MarioTourinho; transparência e respeito com o funcionalismo.

Manutenção da cidade
Há um ano: Nenhuma equipe para tapa-buraco, roçadas e limpeza de bueiros e galerias; praças abandonadas.
Hoje: 87 equipes nas ruas; 3,3 mil km de tapa-buracos; 22 praças recuperadas; nova iluminação nas ruas, parques e ciclovias.

Obras
Há um ano: Obras paradas ou quase paradas.
Hoje: R$ 278 milhões em obras em andamento; 62 ruas com recuperação do asfalto; usina de asfalto reaberta.

Saúde
Há um ano: Déficit de R$ 237 milhões; falta de medicamentos e atraso no repasse aos hospitais.
Hoje: R$ 1,7 bilhão investido no setor; UPA do Tatuquara aberta; fila de exames zerada no Laboratório Municipal; mutirões atenderam 173 mil pessoas nas especialidades médicas; 313 novos leitos de retaguarda; estoque de remédios regularizado; aplicativo Saúde Já implementado; Mãe Curitiba reestruturado; seis novas ambulâncias e 26 novos veículos no Samu.

Transporte público
Há um ano: Desintegração com a Região Metropolitana; fundo de transporte com buraco de R$ 5 milhões; ônibus velhos.
Hoje: Reintegração de linhas com a RMC beneficia 60 mil passageiros; fundo de transportes com saldo de R$ 42 milhões; compra de novos ônibus iniciada; projeto-piloto para integração temporal das passagens.

Defesa Social
Há um ano: Insegurança.
Hoje: Balada Protegida em ação; 35 novas viaturas; equipamentos renovados.

Assistência Social – FAS
Há um ano: Abandono.
Hoje: O dobro de vagas para cursos profissionalizantes: 12 mil; 676 novas vagas para moradores de rua; 20 mil abordagens para atender população de rua; 63 mil refeições servidas no Expresso Solidariedade; 730 mil peças de roupas, calçados e cobertores doados.

Mutirões da Cidadania
Há um ano: Não existiam na cidade
Hoje: Realizados em cinco regionais, fizeram mais de 200 mil atendimentos de serviços para a população.

Habitação popular
Há um ano: Cohab com veto da Certidão de Tributos Federais.
Hoje: Obras retomadas; 11% mais contratos adimplentes; 494 moradias em construção.

Direitos Humanos
Há um ano: Pouca ação.
Hoje: Ampliação dos serviços na Casa da Mulher Brasileira de Curitiba; 1.250 pessoas com deficiência atendidas com transporte especial; 50 casos de discriminação sexual atendidos; 3.ª Conferência Municipal da Igualdade Racional realizada.

Educação
Há um ano: CMEIs fechados; falta de pessoal.
Hoje: R$ 4 milhões para reforma de escolas e creches; 110 professores contratados; dois CMEIs abertos; quatro Faróis do Saber reformados e um transformado no primeiro Farol do Saber e da Inovação; mais que o dobro de crianças com deficiência atendidas; Linhas do Conhecimento com mais de 14 mil participações de estudantes

Os críticos de Greca

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Além dos adversários de estimação, especialmente o derrotado Gustavo Fruet, que não conseguiu se reeleger, tal a decepção da população com seu governo, houve setores que se sentiram prejudicados. Inclusive nas corporações de servidores, habituadas a benesses insustentáveis.

“Quem não gostou [dos ajustes] foi uma parte mínima. A maioria está satisfeita, agradecida e me respondendo com muita qualidade nos serviços a ponto de fazer este Natal magnífico e de tudo estar funcionamento perfeitamente. É uma ou outra sereia barbuda braba comigo. Sereia porque é aquela que canta para encantar. Tentaram me encantar com a ideia de dar direitos sem sustentabilidade, mas isto é desengano. Os prefeitos que ouviram essas sereias bateram o barco no rochedo. Em Porto Alegre, Rio de Janeiro e outras 20 grandes cidades do país, o funcionalismo está sem receber, o que não é meu caso, paguei adiantado o 13.º integralmente e o salário de dezembro caiu no dia 22.”

Há queixas, mas no transporte coletivo “fizemos a reintegração metropolitana de quatro linhas para 60 mil passageiros. A pendência com as empresas de ônibus foi equacionada e agora vamos renovar a frota. Hoje à noite [ontem] 10 ônibus novos que ficaram prontos serão entregues antes do ano que vem, como acertado [são alimentadores (cor laranja) que fazem ligação entre bairros e os terminais da cidade] e já rodam nesta semana. E isto não fará coceira na tarifa, apenas a reposição salarial dos trabalhadores.”

“O binário da Mateus Leme e Nilo Peçanha é um sucesso. Vou adotar o modelo em várias regiões da cidade e começarei o ano fazendo um, já em janeiro, na Major França Gomes com João Alencar Guimarães, na Santa Quitéria. Também tenho muita vontade de fazer que os semáforos sejam todos sincronizados, fazer uma licitação para que eles falem a mesma língua.”

No balanço de seu primeiro ano à frente da prefeitura de Curitiba, Rafael Greca (PMN) distribuiu críticas aos sindicatos de servidores municipais e ao ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT). Sobre o não pagamento da data-base do funcionalismo, o prefeito afirmou que havia condições de pagar um reajuste de até 1,5%, mas a gestão optou pelo congelamento dos salários para dar um aumento maior quando tiver condições.

O prefeito ainda comemorou o acordo feito com as empresas operadoras do transporte coletivo que vai permitir a compra de novos ônibus e a implantação da linha Ligeirão Norte-Sul, que, segundo Greca, estará funcionando até o dia 29 de março de 2018. A linha fará a ligação da região do Santa Cândida com a Praça do Japão. As obras estruturais estão prontas desde 2014, mas a operação não começou por falta de ônibus.

Foto abertura: Francisco Anzola

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