Fiat Lux de Amanda Fabbri

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No começo, Amanda Fabbri, 27, queria ser advogada, defender grandes ou pequenas causas, assumir certo papel meio “messiânico” na defesa dos que, buscando justiça, a ela recorressem. Por isto, passou dois anos num prestigiado curso de Direito, em Curitiba, tempo suficiente para descobrir que, na verdade, seu espírito ansiava buscar outros mares. A partir dali, a decisão deveria ser consumada “com urgência”.

A escolha “natural”, em seguida, foi o curso de Arquitetura, em que se formaria em 2016, pela Universidade Tuiuti, confirmando-lhe certezas. A maior delas: a de que seu caminho seria mesmo o de prever e prover espaços, e igualmente trabalhar o que ela chama de “magia das luzes”. Até porque, descobrira, essa vocação para a Arquitetura “estava incubada em mim desde sempre”, diz com a segurança de quem jamais duvidou dos caminhos aclarados.

 

ORGANIZAÇÃO

A fala de Amanda reflete organização interior e tem muito dos pais, o médico Edmilson Fabbri, cirurgião geral, além de terapeuta reputado de uma clínica que trabalha as causas do stress, e a mãe, a requisitada psicóloga clínica Tatiana (Tati).

O passar dos anos, entre teorias e práticas no curso de Arquitetura, levou-a a optar por caminhos difíceis no mercado restrito do Brasil, os da Arquitetura de Iluminação (ou, mais amplamente conhecida como Lighting Design).

Essas ainda limitadas perspectivas no mercado nunca preocuparam muito a bonita e charmosa arquiteta recém-chegada de Roma, onde, por ano e meio, fez curso de especialização em Iluminação num dos pilares culturais da Itália, a Universidade La Sapienza.

Não existe endereço mais significativo da vida universitária romana do que essa casa, na qual, diz orgulhosa, foi aluna de luminares mundiais da área, no curso de Arquitetura, de doutores em Iluminação. Dois deles, nomes mundiais, merecem sua referência: os professores Corrado Terzi e Marco Frascarolo.

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LUZES NO COLISEU

“Foi preciosa e rara oportunidade – os mestres estavam, no período, fazendo a iluminação do Coliseu Romano”, comemora a jovem. E ela no Coliseu foi também descobrir o fantástico dos raios solares que contemplam detalhes do monumento, assim como acompanhou o amplo processo de iluminação interna e externa (noturna) desenvolvido pelos professores. “Uma experiência que não tem preço”, comemora a agora “lighting designer”.

Jovem do seu tempo, Amanda está ligada a todas as realidades de um mundo muito tech e que partilha, em casa, com o irmão Leonardo, músico que vai se profissionalizando, depois de dois anos de estudos em Los Angeles.

 

RAIOS ESSENCIAIS

Amanda poderia falar horas seguidas sobre a essencialidade da luz – natural e artificial – a serviço da Arquitetura, e sua capacidade de gerar novas dimensões na obra de arquitetos de hoje e de ontem.

Poderia, com facilidade, mergulhar nas mitologias grega e egípcia, por exemplo, para até mostrar os deuses (como Zeus) e seus raios ampliadores do olhar humano sobre o mundo ao derredor. Também não tem dificuldade em discorrer sobre o fascinante da luz natural penetrando nos grandes templos cristãos medievais, como a Catedral de Chartres – “um combustível inestimável para alimentar a fé de povos e apaziguar inquietudes espirituais”, registra.

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PREÇO A PAGAR

No entanto, Amanda prefere o caminho que trilha, o que se marca por muito estudo e ainda poucas retribuições materiais. Afinal, a especialidade em Lighting Design, se não é exatamente uma novidade, tem amplo caminho a conquistar no Brasil.

Quando peço a Amanda que sintetize o Lighting Design, ela não titubeia, vai ao monumental Le Corbusier, com obra notável na paisagem brasileira, dizendo: “A Arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sob a luz”.

Com a lógica de quem domina sua grande escolha, Amanda repete sempre, com pedagógica e rica simplicidade: “As coisas foram feitas para serem vistas sob a luz”.

Eu, cá comigo, me pergunto, se não foi, por acaso, com um “Faça-se a luz” que Jeovah deu a ordem geradora do Universo.

 

 

 

Crédito fotos:

FOTO 1: Marcelo Elias

FOTO 2: Arquivo Pessoal

FOTO 3: Arquivo Pessoal

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