Piada de salão

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Alguém acredita que qualquer dos condenados por corrupção ficará muito tempo na cadeia? O maior caso de corrupção da História antes da Lava Jato, o Mensalão relatado pelo ministro Joaquim Barbosa rendeu 26 condenações de figurões do governo Lula, mas o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) se encarregou da pizza, reduzindo penas, mandando para o regime aberto e até perdoando condenações de corruptos notórios. Se a história se repetir, qualquer réu da Lava Jato tem tudo para garantir a impunidade.

Vejamos um exemplo. O mensalão estourou em 2005. As primeiras condenações foram em 2008. Condenados como José Dirceu e José Genoíno estão livres. O “dono” do PR, Valdemar Costa Neto, o petista João Paulo Cunha e o “denunciante” do PTB Roberto Jefferson também estão soltos.

Premonitório, Delúbio Soares disse que o Mensalão ia virar piada de salão. Ele e Henrique Pizzolato, que fugiu para a Itália, estão livres.

 

STF execrado

Raramente o Supremo Tribunal Federal (STF) foi tão execrado em sua história, após a “pizza provisória” que negou a própria jurisprudência para beneficiar Lula, o corrupto, em meados de março. É bom se habituar com a vibrante democracia brasileira. No Reino Unido, há séculos, mídia e chargistas ridicularizam poderosos, sem cerimônia. Faz parte do jogo democrático e mantém suas excelências espertas.

Pior, no Brasil, foram os tempos de medo, censura, autocensura. Nem mesmo ministros de tribunais superiores ficaram imunes à truculência. Necessário lembrar que ministros do STF são homens e mulheres falíveis. Farão e dirão bobagens, e pagarão preço alto por isso, ouvindo críticas, gritos e gozações.

Na democracia, ninguém está acima da lei, da crítica ou da gozação, mesmo grosseira. Nesse caso, a lei é o limite. É preciso ter paciência.

 

Foi duro

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso participou do Fórum da ONU sobre Segurança Humana, em São Paulo. Em seu discurso, foi duro com a situação brasileira. “O Brasil, nos últimos tempos, se deu conta de que nós vivenciávamos uma corrupção que era sistêmica, endêmica. Não era produto de falhas individuais, de pequenas fraquezas humanas, era o programa, um modo de conduzir o país com um nível de contágio espantoso, que envolvia empresas públicas e privadas, agentes públicos e privados, membros do Congresso, do executivo, da iniciativa privada. Foi espantoso o que aconteceu no Brasil”.

Ainda no Fórum, Luís Roberto Barroso disse que a corrupção “atrasa o processo de distribuição de renda, prejudica a qualidade dos serviços públicos e faz a vida ser pior”. E completou: “Nós estamos fazendo um esforço no Brasil para tomá-lo das mãos das elites extrativistas e devolvê-lo à sociedade para que as pessoas se sintam livres, iguais, participantes e possam confiar umas nas outras”.

Há outro risco nessa confusão toda. O movimento é silencioso, mas ganha corpo e está sendo bem estruturado. Homens das Forças Armadas não tolerarão um condenado na posição de comandante supremo. O general Luiz Gonzaga Schroeder é o primeiro a falar abertamente que a reação será um golpe para “restaurar a ordem”.

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