Tatiana Stropp: leveza e resistência

marianna

Cor, brilho e transparência. Uma chapa de alumínio e misturas de tinta a óleo, despertando outras tonalidades que somente cada nova pincelada pode revelar. A intensa procura de uma artista que não se cansa em sua investigação sobre o paradoxo da simplicidade da cor e a complexidade de sobrepor umas às outras em harmonia.

Nascida em Campinas em 1974, e vinda de uma família de artistas, Tatiana Stropp começa sua produção artística em 2003 quando se forma pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), onde escolhe que a pintura seria a sua vertente e as chapas de alumínio, o seu suporte. A artista conta que quando se mudou para Curitiba, em 1998, demorou dois anos para se acostumar com o tempo da cidade. “Estava sempre nublado, acho que foi por isso que me internei no Andersen”, conta Tatiana, em referência ao ateliê onde também desenvolveu parte da sua pesquisa no uso das cores.

Talvez haja alguma relação inconsciente entre a escolha da base do seu trabalho e o clima. As chapas de alumínio muito fazem lembrar o céu cinzento de Curitiba. No entanto, Tatiana parte desse elemento para criar em cada novo traço de cor um exercício que resulta em uma soma cromática, obstinada a não se render ao insistente cinza que vislumbra da janela de seu ateliê. Assim como as chapas de alumínio, Tatiana tem a leveza e a resistência ao tempo.

Quando precisa escolher as chapas, recorre aos galpões de sucata ou compra chapas novas. Porém, mesmo que tanto uma quanto outra passem pelo mesmo processo de preparação para o recebimento da cor, o desfecho de cada obra é diferente.

Entre grandes e pequenos suportes, dípticos e trípticos, o que se vê no ateliê no ático de sua casa são faixas de cor que se misturam, se sobrepõem e se cruzam em diferentes direções, levando nosso olhar a repousar com mais afinco na delicadeza de seu trabalho.

A obra de Tatiana, no entanto, não procura um resultado previamente calculado. Em cada novo traço, o trabalho vai se apresentando tranquilamente, às vezes de forma mais rápida, e outras em trabalhos inacabados que descansam em seu ateliê ainda como objetos de estudo e, também, de inspiração. “Estou mais nas dúvidas que nas certezas”, revela.

Já realizou diversas exposições individuais, como “Diáfano”, na Galeria Via Thorey, em Vitória; na Bienal Internacional de Curitiba e em espaços da capital paranaense, como o Museu da Gravura – Solar do Barão. Foi convidada para exposições coletivas, entre elas as quatro últimas edições da ARCOmadrid, na Galeria Ybakatu, em Madri, Espanha;  “Estado da Arte: 40 anos de arte contemporânea no Paraná – 1970-2010”, no Museu Oscar Niemeyer, e outras em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.

Tatiana agora se prepara para ir a Lisboa, em Portugal, para uma feira de arte. Em 2019, o plano é participar de uma exposição coletiva, em Palma de Mallorca, na Espanha.

Crédito foto: Kraw Penas

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