Editorial. Ed. 201

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Na última pesquisa Ibope, 59% dos entrevistados disseram que pretendem anular ou deixar em branco o voto. Uma boa parcela indica abstenção. Na sondagem estimulada, com apresentação da lista de candidatos ao Planalto, 41% dos eleitores mantiveram o chamado “não voto”. E um em cada três entrevistados anunciou que não votaria “de jeito nenhum” em Bolsonaro, Collor e Lula.

Por que seria diferente? Nada mudou. Só cresce no Brasil o desprezo pela política e pelas instituições. Todos os poderes estão em questionamento. Agora, inclusive o Judiciário, porque a população vai percebendo que na Suprema Corte do país, o STF, também está em gestação toda uma trama para quebrar a Lava Jato, a operação que abriu as entranhas da corrupção no país.

De resto, a crise social, econômica, política e também moral continua. Pouquíssima coisa mudou desde a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE: a taxa de desempregados ficou em 12,7% no trimestre encerrado em maio, queda de 0,2 ponto porcentual em relação ao trimestre terminado em abril, quando o indicador estava em 12,9%. O que significa que o desemprego atingiu 13,2 milhões de pessoas. Ano passado, mesma época, os desempregados eram 13,8 milhões. Houve queda de 3,9%.

O desemprego é o efeito colateral mais perverso que a crise proporciona. Há outros. O aumento da criminalidade, a deterioração rápida dos serviços públicos pressionados pela classe média que já não pode pagar saúde e educação de seu próprio bolso, porque até os planos de saúde estão aviltados, e passa a usar a escola pública, o médico do posto de saúde.

Confiança em candidatos? Nunca foi tão pouca. Ora, pois, desse jeito ninguém pode cantar vitória antecipada. E até o final da Copa do Mundo ninguém vai querer prestar atenção nos candidatos que estão aí. De repente o brasileiro entregou-se a completa alienação para descansar um pouco das más notícias, da realidade difícil que enfrenta. Depois, vai ser o pega pra capar. Pauleira braba. Em seis semanas, no máximo, a campanha eleitoral será intensa e agressiva. Preparem o estômago.

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