Carlinhos do Antonio’s

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O espaço da crônica tem uma “localidade” diferente dos demais gêneros presentes à Literatura. É um local especial de visada, uma espécie de mirante, onde o observador está, de certa forma, estrategicamente posicionado ante o(s) fato(s). E diante do ensejo desta, quero mencionar – em comovida referência – nomes de imensa consagração ao estilo crônica. Eis que: Rubem Braga (o mestre), Sergio Porto (mestre Stanislaw), Otto Lara Resende (o mineiro só é solidário no câncer) e, ainda, Nelson Rodrigues (a vida como ela é), perfazendo – dentre muitos outros mestres – o que de melhor fora publicado na imprensa ao longo dos anos de ouro da imprensa brasileira.

Mas torna-se oportuno, cabe ressaltar, um determinado nome de cronista, aqui neste espaço, rápido mirante, que é verdade, um nome à sombra do cast de gigantes – aqueles que o cânone sempre consagrou como sendo os maiores representantes do gênero crônica.

Lembro do nome de Carlinhos Oliveira. Especialmente quando corríamos (eu e meus amigos) para comprar o Jornal do Brasil; sua coluna tornava-se imperdível àquela altura do cenário carioca, onde este capixaba de nascimento, na varanda do Antonio’s, lançava sua doce e poética pontaria na observação do que acontecia, muitas vezes sua bífida artilharia – como a língua ofídia determina – dardos de ácida crítica (muitas vezes); ou em algum momento, quando sua veia poética se alteava quando, em uma crônica de 1965, comentando sobre ventos que grassavam ali no Castelinho, escrevia:

“Dois perfumes verdes, o do campo e o do mar, nos bafejavam. Sentimos que mesmo as crianças, mesmo os velhos e mesmo os doentes conheciam naquele instante, em suas camas, uma insônia agradável. Era algo lento e bovino, como quando a lua se solta lenta do horizonte, como a bolha de sabão quase desprende do talo de mamoeiro.”

O nome de Carlinhos Oliveira atingia certas determinadas camadas. Seu universo consumado abrangia – notadamente – Ipanema e Leblon: que muitos achavam, e ainda acham, “de costas para o Brasil…”, mas é certo que o cronista, em muitas colunas, rasgava a frio a imensa tenda de mazelas que o nosso país ostentava à época.

Inegavelmente, seu estilo marcara época, um jeito único de conservar sua pontaria sempre com elegância e comedido refino, sem a chamada literatice de plantão…, mas que sempre atingia com extrema perícia o talo da maçã.

E, finalizando: seria o caso de flipá-lo à próxima FLIP? Pois não?

 

Crédito foto: Sebastião Barbosa / Arquivo

 

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