Editorial. Ed. 203

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Duas potências políticas perderam musculatura nos últimos quatro anos. O PT pelos escândalos de corrupção na República que destronaram Dilma Rousseff e colocaram na cadeia o caudilho maior Luiz Inácio Lula da Silva e mais uma penca graúda de petistas de discurso bolivariano e mãos de Al Capone. Aqui, na terrinha, concorre para ganhar espaço para o proselitismo Lula livre. De resto, vexame.

Outro partido que virou mingau foi o PSDB. Os tucanos parecem, afinal, convencidos de que não adianta emplumar-se de pássaro tropical se o povo não entende o pio. O pessoal de alto coturno do tucanato nativo trocou figurinhas sobre a semana que entra e é considerada decisiva, porque se inicia a campanha eleitoral na televisão. E saíram amargurados.

Subiram as estrelas do PP de Cida Borghetti e seu amplo leque de aliados. E temos o retorno do MDB, com João Arruda candidato a governador e Requião na posição de favorito para o Senado. E, é claro, o aglomerado que se formou em torno de Ratinho Jr, candidato popular e esperança dos desvalidos.

Há boa dose de decepção no poleiro tucano. A rapaziada vive em estresse. Pudera. Apesar dos esforços, o presidenciável Geraldo Alckmin não sobe nas pesquisas nem com reza braba. Outra constatação de tucanos nativos é a de que a insistência no discurso de pitbull contra Lula mostrou-se insuficiente para mudar a tendência do voto da maioria dos brasileiros. É preciso apresentar um projeto alternativo para o país.

No Paraná o PSDB procura manter, para o público externo, a cara de despreocupado. Mas não consegue disfarçar o suor frio nas mãos, a tremedeira nas juntas e a depressão que o medo costuma causar. Não há como esquecer o desastre que lhe trouxe a série de denúncias de corrupção nunca antes imaginada no Paraná.

Ainda está em curso a Operação Quadro Negro, que ouve delações. Outra delação, a do diretor-geral do DER no governo Richa, Nelson Leal, é devastadora. Não é sem razão a resistência em todos os partidos a uma coligação com os tucanos, que acabou acontecendo com o PP e a candidatura de Cida Borghetti a governadora. Aliança que o PSDB tratou logo de conspurcar. Estabelecida a aliança, por pressão dos demais partidos aliados e do próprio Richa, deu-se o que muitos esperavam: um vergonhoso espetáculo de traições. A maior parte do tucanato se dedica a fazer acordos espúrios com outros candidatos, abandonando Cida Borghetti.

Quem tira vantagens da ignomínia é o candidato Ratinho Jr, que recebe gostosamente os apoios de tucanos que pedem guarida para se reeleger. Sem dúvida, esta é a eleição mais desprovida de princípios e valores que antes os políticos ao menos faziam de conta que respeitavam. Agora é sexo explícito. Vale tudo. Espetáculo deprimente.

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