Não há favas contadas

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A eleição está aberta. Ninguém pode cantar vitória, tudo indica que teremos segundo turno

 

Saiu o Ibope da disputa eleitoral no Paraná. É a primeira pesquisa de um instituto respeitado nacionalmente, e os resultados são surpreendentes, porque contrariam todas as outras que serviram para o balizamento tanto dos candidatos quanto da imprensa: Ratinho Jr tem 33%, Cida Borghetti tem 15% e o estreante João Arruda larga com 5%. Os demais somam 14%. Essa aritmética nos garante que vai dar segundo turno. A soma dos votos dos adversários do primeiro colocado, Ratinho Jr (33%), dá 29%, apenas 4% de diferença. Há, ainda, 22% de brancos e nulos e 15% que não sabem em quem votar. Os demais são coadjuvantes, importantes apenas para somar o suficiente a fim de forçar o segundo turno. São Rosinha, 3%; Piva, 2%; Buchi, Bernardo, Ebara e Bernardi têm 1%. Marinho não atinge 1%.

O Ibope ouviu 1008 eleitores em todas as regiões do estado entre os dias 19 e 21 de agosto de 2018. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE foi feito sob o protocolo BR-06574/2018.

Este Ibope modificou completamente o quadro de expectativas com que trabalhavam os candidatos, tanto ao governo quanto ao Senado. A pesquisa deu um choque de realidade na caterva dos que sonham com a vitória nas majoritárias. Diferentemente das pesquisas domésticas divulgadas anteriormente, o Ibope trouxe índices mais baixos, o que elimina o triunfalismo de candidatos que se anunciavam vencedores no primeiro turno e aponta claramente para um segundo turno nas eleições deste ano. Não há favas contadas. A eleição está aberta. Os candidatos principais – Ratinho Jr, Cida Borghetti e João Arruda – devem rever suas estratégias.

 

A POSIÇÃO DOS FAVORITOS

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1 Ratinho Jr, que chegou a 46% em pesquisas anteriores, como a do IRG, desceu para 33% das intenções de voto no Ibope. Continua favorito, mas agora pedestre, alcançável e muito provavelmente obrigado a disputar o segundo turno das eleições, alternativa que detesta. Outra preocupação: teria ele batido no teto, no limite que sempre marcou suas eleições anteriores?

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2 Cida Borghetti tem o que comemorar. Alcançou 15% das intenções de voto e se apresenta como principal adversária de Ratinho Jr. Pelo Ibope, se as eleições fossem hoje, teria tudo para passar para o segundo turno contra Ratinho Jr. Ou seja, atingiria o seu objetivo. Não alcançou os 20% que teve na pesquisa IRG, mas com 15% pode alimentar seu sonho de reeleição.

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3 João Arruda, do MDB, sai com 5%. Parece pouco, mas na verdade é muito, para quem começou a sua campanha há menos de um mês. O índice prova que ele conseguiu mobilizar o MDB, que Requião começa a lhe transferir votos e que ele pode ganhar musculatura rapidamente. Não tanto para ganhar no primeiro turno, como anunciou. Mas pode pensar em passar para o segundo contra Ratinho Jr ou Cida Borghetti.

4 Os demais concorrentes são insignificantes nos índices atuais e nas possibilidades de chegar a algum lugar. Somam, todos, 14%, mas são 14% importantes para levar a eleição para o segundo turno.

O mais satisfeito com estes resultados, considerados os mais importantes da largada da competição, foi João Arruda, o estreante do MDB. “O resultado da pesquisa é um elogio à nossa candidatura. São os números dos quatro anos de campanha dos adversários, contra a recente candidatura própria do MDB”, afirma o candidato, ao comentar a pesquisa Ibope contratada pela RPC, em que aparece com 5% das intenções de voto.

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João Arruda buscou nas eleições para prefeito, em 2016, um exemplo para mostrar que a corrida ao Governo do Estado está aberta. “Lembra a história de Dória. Ele tinha 5% em uma etapa parecida e ganhou no primeiro turno”, frisou o candidato do MDB, sobre o desempenho de João Dória, que se elegeu prefeito de São Paulo naquele pleito.

 

A CORRIDA AO SENADO

Requião, do MDB, alcançou 40% das intenções de voto no Ibope. Um índice que lhe dá enorme conforto nesta eleição para duas vagas ao Senado. Ele se mostra mais ocupado em ajudar na eleição de João Arruda a governador que em sua própria campanha ao Senado. Pudera. Seu opositor mais próximo é Beto Richa, do PSDB, com 30%, que enfrenta dificuldades judiciais que não são de somenos e que atrapalham sua caminhada. Os demais candidatos, com exceção de Flavio Arns, do Rede, que tem 17%, navegam em águas rasas, não são ainda competidores diretos.

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O ex-governador e candidato ao Senado Beto Richa organizou encontro com vereadores de Curitiba. Levou 25 para sua reunião e ouviu deles promessas de apoio. Com os vereadores apareceu o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e seu vice, Eduardo Pimentel.

Este movimento é fundamental para Richa. Segundo o Ibope, ele está com 30% das intenções de voto, contra 40% de Requião, do MDB. Ou seja, se a eleições fossem hoje, os dois ficariam com as duas vagas do Senado. Mas há outros concorrentes que podem ameaçar a posição de Richa. Flávio Arns, pelo Rede, e Alex Canziani, do PTB, podem se aproximar.

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Curitiba é a cidade onde Richa precisa voltar a crescer. Sempre foi sua principal base eleitoral, que definhou depois das adversidades de denúncias e escândalos que envolveram o seu governo.

Os candidatos menos votados ao Senado são: Alex Canziani (PTB): 9%; Mirian Gonçalves (PT):

4%; Nelton (PDT), Rodrigo Reis (PRTB) e Rodrigo Tomazini (PSOL): 3% cada um; Compadre Luiz Adão (DC) e Zé Boni (PRTB): 2% cada um; Gilson Mezarobba (PCO), Jacque Parmigiani (PSOL), Oriovisto Guimarães (Podemos), Roselaine Barroso (Patriotas): 1% cada um. Brancos/nulos (vaga 1): 17%; Brancos/nulos (vaga 2): 27%; Não sabe/não respondeu: 39%.

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PEDRA NO SAPATO

Os adversários de Beto Richa na disputa ao Senado torcem por um tropeço judicial do ex-governador. E a principal expectativa dessa turma é a de que as denúncias do ex-diretor da Secretaria de Educação, Maurício Fanini, criem obstáculo definitivo para a candidatura de Richa. Fanini disse em depoimento à Justiça, no dia 22 de agosto, que o dinheiro desviado das obras das escolas estaduais também tinha como destino o “enriquecimento ilícito” do ex-governador Beto Richa (PSDB). Fanini declarou ainda que prestava contas da arrecadação de propina mensalmente ao próprio Richa. O ex-diretor está preso desde o ano passado em decorrência da Operação Quadro Negro. Beto Richa nega as acusações e alega que se trata de estratégia de Fanini para obter uma delação premiada.

O depoimento de Fanini foi prestado à 9ª Vara Criminal de Curitiba no âmbito de um processo que apura desvios ocorridos em duas escolas estaduais: Tancredo Neves, em Colombo, e Professora Linda Salamuni Bacila, em Ponta Grossa. A Construtora Valor, do delator Eduardo Lopes de Souza, foi a responsável pelas obras nessas escolas. Ele é réu no mesmo processo.

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