A Nelson o que é de Nelson

bellinho

Força inegável de nossa brasilidade está no futebol.

E tanto quanto tal força, nossa crônica esportiva sempre pontuou momentos de imbatível celebridade no gênero.

Tivemos cronistas de inesquecível qualidade. Lembraria de Armando Nogueira (no JB), para quem o melhor capítulo da História do Futebol, inegavelmente, ficaria com o escrete húngaro de 1954, com Puskas & cia…

Armando era o mais literário, o mais poético; puro estilismo. Seus comentários tornaram-se célebres, todos os colegas da área o reverenciavam como uma espécie especial – não de um mero cronista habitual –, mas um “escritor”, botafoguense, que analisava o futebol com firulas imperdíveis, verdadeiro craque na arte de escrever sobre futebol.

Poderia ainda lembrar de nomes que confirmam a grandeza da crônica esportiva, na chamada grande imprensa, tempos idos de glória dos matutinos: Jornal do Brasil & O Globo. Que ostentavam um “escrete” tanto no setor do esporte quanto no setor “literário”, a saber: Clarice Lispector, Drummond, Otto Lara, Carlinhos Oliveira, assim como Oldemário Touguinhó, Álvaro Moreira, João Saldanha. Mas todos sabemos que, num verdadeiro selecionado, existem supercraques, alguns geniais e outros de intensidade moderada.

Mas minha grande recordação se faz – no gênero crônica sobre futebol – com um dos chamados “geniais”.

Eis que de um lado do campo: Nelson Rodrigues (o tricolor mais célebre de nossa história), com sua “À sombra das chuteiras imortais”, em O Globo. Que eu recortava e guardava como um precioso troféu…

Tornava-se imperdível lê-lo e comentá-lo. Suas expressões, suas arrancadas mortais frente ao tema – principalmente o Flu… Tricolores ou não, futebolistas ou não, todos o aclamavam como um dos maiores cronistas que a imprensa brasileira já tivera.

Sabíamos de sua irresistível potência como escritor, dramaturgo, comentarista de TV. E mais ainda de quando mirava o futebol brasileiro, adquiria a marca de um gênio imortalizado, um Ibsen vestido de verde, grená & branco. E quando a coisa apertava, ele se encaminhava até o terreno baldio da Aldeia Campista, para se desabafar com a “cabra vadia” que sempre o esperava. Ou contar o episódio da famosa “grã-fina-das-narinas-de-cadáver” que, ao sentar na tribuna, perguntara, em altos brados: “…Quem é a bola??? Quem é a bola????…”

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