Celso Loch, artista dos sons

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Quando conheci o Celso Loch na Faculdade de Direito da UFPR, onde estudávamos no fim da década de 1960, já o tinha visto tocar nos famosos bailes do Clube Curitibano. Na faculdade iniciamos amizade, eu abandonei o curso, ele se formou, prestou concurso na Procuradoria do Estado, trabalhou bastante, desde os treze anos de idade, aposentou-se. Foi a sua vida profissional, a cara. Do outro lado, a coroa: a arte, a música, o dom musical que nasceu com ele e que desenvolveu com amor e criatividade. Com o saudoso Antonio Carlos Kraide entrou para o mundo do teatro no começo da década de 1970. Em 1974 fez parte, com outros artistas, do MAPA – Movimento Atuação Paiol, idealizado, entre outros, por Abrão Assad, Paulo Vítola e Carlos Francisco Solheid, meu futuro sogro. Celso Piratta, como é conhecido, é um músico, um artista dos sons. Toca instrumentos de corda: violão, guitarra, cavaquinho e um ukulele de procedência portuguesa.

Sua pátria é o mundo por onde andou, tocou, fez parcerias e amigos. Na década de 1980, morou pouco mais de um ano nos Estados Unidos. Tocou em bares, casas de show, no Blue Note, em Nova York. Em Barcelona, tocou na rua, chapéu no chão e a acústica do Barrio Gotico ampliando seus sons. Em 1985, graças à amizade de Dale Teaney, morou em Nova York durante um tempo. A Big Apple é a cidade do seu coração, que o abriga intermitentemente. No apartamento do flautista Jeremy Steig onde se hospedou, dormiu ao lado do contrabaixo do Eddie Gomez, que participou do trio do Bill Evans depois da morte de Scott La Faro.

Em 11 de setembro de 2017, data memorável, casou-se com a Noemi em Las Vegas, numa procissão de motos Harley Davidson. Levou dois sustos nas suas recordações: o de levantar à noite e atropelar e danificar o baixo de Eddie Gomez e o beijo que ganhou na bochecha de Dizzy Gillespie no Blue Note.

 

Texto e foto: Dico Kremer

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