Estresse autoinduzido

edmilson

Às vezes me surpreendo comigo mesmo, tanto quanto você também deve se surpreender com você mesmo, com relação aos diálogos mentais que todos travamos diariamente. Quantas vezes você já se pegou discutindo com seus pensamentos sobre o possível resultado de uma ação? Muitas! A toda hora! É assim mesmo, não é?

A questão é: por que nessas discussões temos uma tendência ao viés negativo nas nossas conclusões? Não precisamos de inimigo. Nosso próprio pensamento se encarrega disso. A grande maioria de nós usa pensamento como munição contra si mesmo, e o que é pior, sem se aperceber disso.

O grande Abraham Lincoln, um dos maiores presidentes dos EUA, dizia que o medo é o microscópio que aumenta o perigo. Nossos pensamentos vivem querendo nos deixar com medo. Do quê? Do futuro, sempre. Daí nossas ansiedades. Somos escravos da necessidade de anteciparmos o resultado de tudo o que vai acontecer, ou o que nos dirão com relação a isto ou aquilo.

Pois bem, já que queremos antecipar o resultado das coisas, então que sejamos inteligentes e benevolentes com nós mesmos, acreditando que o melhor vai acontecer. Isso é uma proteção contra o estresse autoinduzido. Aquele que nós mesmos nos imputamos, cruel e covardemente, por conta de nossos diálogos internos. Escravos de nossa mente inquieta. Um pensamento atrás do outro, normalmente nos vitimizando e sofrendo as somatizações que tanto nos levam aos médicos. Após consulta e exames, com tudo normal, a conclusão óbvia: você está estressado.

O estresse é uma possibilidade real diária. Alta, por sinal. Um filho que adoece, uma situação conflitante no relacionamento que insiste em perdurar, problemas no trabalho, carro que estraga etc… são situações de estresse real, concreto, palpável. Porém, enfrentar o trânsito, que é uma queixa comum de estresse no meu consultório, não é real e nem concreta, pois depende de como você a interpreta. Aí vem a identificação pessoal das situações estressantes e como você está programado para enfrentá-las. Muito diferente da doença de um filho, por exemplo.

Um amigo meu me disse: “Em um engarrafamento no trânsito, é a hora que consigo me desligar de tudo e relaxar”. Outro me disse: “Quando pressinto a possibilidade de um engarrafamento, já começa a me dar um desespero só de imaginar o tempo que vou ficar ali parado sem fazer nada”. É ou não interpretativo? Se eu acho que tal fato é estressante, vou internalizá-lo e reagir como tal, conseguindo piorar uma situação já ruim por si mesma. Entretanto, se eu a interpreto diferentemente, trazendo a possibilidade de tirar proveito dela, não a internalizarei e reagirei com tranquilidade, aproveitando o momento para mandar um Whatsapp, escutar música ou apenas relaxar, mesmo sendo um congestionamento.

Imagine a qualidade de vida que você poderia ter se conseguisse diminuir seu estresse autoinduzido, justamente aquele que depende da maneira como você interpreta as coisas e lida com seus pensamentos. Admitir que se está estressado devido ao seu modo próprio de pensar é, sem dúvida, o começo para a mudança. Não é fácil, mas é possível.

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