Tsunami à direita

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A eleição foi um exocet na estrutura partidária tradicional com os litigantes tradicionais PSDB e PT atingidos, ainda que este com algumas compensações em governos estaduais e na disputa do segundo turno entre Fernando Haddad e Bolsonaro.

Numa campanha em que seus polarizadores eram também recordistas da rejeição, houve uma renovação a fórceps na aldeia arquivando, a um só tempo, Beto Richa e Roberto Requião, o primeiro, prefeito da capital por duas vezes e também governador, e o segundo com trajetória mais robusta ainda como burgomestre em Curitiba, três vezes governador e mais de uma vez senador.

Como resposta à sua prisão e ao seu enquadramento processual, tanto o da Lava Jato como o da Patrulha Rural, Beto Richa tentou fazer da sua disposição eleitoral e competição prova de sua honestidade e se deu mal, ficando em sexto lugar, atrás de Mirian Gonçalves, do PT, e é visível que seu Ibope desabou assim que foram relatados os motivos de sua prisão, de sua esposa, irmão e auxiliares.

É verdade que o ocorrido no Paraná tem muito a ver com a decomposição partidária nacional deflagrada pelo capitão reformado e seu micropartido e parece nos condenar a um impasse, como sempre, à beira do abismo. O espectro ideológico perdeu matizes intermediários e o pega é entre o infravermelho e o ultravioleta e agora os protagonistas do duelo final fazem avaliações para operações junto à centro-direita e à centro-esquerda. Mobilizadores como o PSDB e o MDB se saíram mal e não parecem com energia suficiente para fazer aquilo que muitos exigem do PT: a depuradora autocrítica. Não se esquece que a implosão do mundo soviético e de suas verdades quase seculares afundou em meio a esse tipo de exercício e para quem faz da soberba um estilo de vida o ato de contrição pode ser um suicídio.

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