O Gordo e o Magro

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Início dos anos 60, férias escolares, o programa era ir ao Cine América, em Curitiba, para mais uma matinê com o festival “O Gordo e o Magro”, quatro comédias curtas de mais ou menos 20 minutos, perfazendo uma sessão. Eram as chamadas “two-reel comedies” que eram projetadas como complementos nas sessões cinematográficas dos anos 30 e 40. Já na música da apresentação, com seu tema, começavam as risadas.

Laurel (o Magro) and Hardy (o Gordo) foi a dupla mais famosa do cinema, reunidos pelo produtor Hal Roach em 1926 em filmes distribuídos pela Metro Goldwyn Mayer. Foram dos únicos a passarem para o filme sonoro em 1929 com absoluto sucesso, assimilando a nova tecnologia e incorporando o som nas gagues, como em “Reaja” (Be big, 1930), em que, depois de um tombo, o Gordo tem um prego enfiado nas costas. O Magro pega um martelo para retirá-lo e com os famosos gritos do Gordo ouve-se o barulho de um prego sendo retirado de uma tábua. Em outro filme de 1939, o longa “Paixonite aguda” (The flying deuces), os dois estão presos em uma cela, o Magro pega o estrado da cama e faz um solo de harpa, ante o olhar incrédulo do Gordo. Estrelaram inúmeros curtas (só nos anos 30 foram oito) e 24 longas até 1945. Fizeram mais um em 1952, “Atoll K”, na Europa, mas sem o controle da produção e já com sinais evidentes do envelhecimento, tanto que não é considerado pelos fãs.

Stan Laurel nasceu Arthur Stanley Jefferson na Inglaterra e, como Chaplin, veio para os EUA em uma companhia de variedades, para se apresentar nos teatros de vaudeville. Foi para Hollywood, como diretor e ator. Tinha controle nos filmes da dupla, dirigindo os diretores e criando ou interferindo nos roteiros. Faleceu em 1965.

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Oliver Hardy nasceu Oliver Norville Hardy em 1892 na Georgia, EUA, e, como tinha uma bela voz, cursou canto no Atlanta Conservatory of Music, o que o levou também para o teatro vaudeville. Rechonchudo desde criança, foi para Hollywood, onde os produtores de então usavam regularmente estereótipos identificáveis para o cinema mudo e, pelo seu tamanho, começou a fazer sucesso como ator. Chegou a cantar em alguns filmes. Faleceu em 1957.

Foram aperfeiçoando as características da dupla com piadas nonsense e exageradas, o jeito mandão e metido do Gordo e o apatetado e inocente Magro, em que ficaram famosos seus choramingos e o coçar da cabeça quando invariavelmente as coisas davam errado. Depois dos desastres, o Gordo olhava para a plateia compartilhando sua frustração. Sempre que estavam casados, as esposas eram verdadeiras víboras que tentavam enganar e se davam mal no final.

Um terceiro ator, James Finlayson (1887-1953), nascido na Escócia e atuante no mesmo estúdio, era constante nos filmes da dupla, como a vítima das confusões, com acessos de fúria engraçadíssimos e trejeitos que também ficaram famosos.

Em 1941 assinaram contrato com a 20th Century Fox, tiveram que se sujeitar a um grande estúdio e perderam muito do controle dos filmes, entrando em decadência.

Alguns filmes entraram no roll dos clássicos, como o curta “Navegando em seco” (Two tars, 1928), em que protagonizam um dos maiores desastres automobilísticos da história cinematográfica. Em outros, contracenam consigo mesmos como respectivas esposas, ou como seus filhos, em cenários exageradamente grandes, que os tornavam diminutas crianças.jensen2

Embora todos os filmes da dupla tenham momentos de irresistíveis gargalhadas, alguns podem ser destacados, além dos já citados:

“Negócios de arromba” (Big business, 1929), em que tentam vender uma árvore de Natal em pleno junho a um irritadíssimo Finlayson.

“Caixa de música” (The music box, 1932) ganhou o Oscar de melhor curta. Os dois vão entregar um piano em uma casa no alto de uma tremenda escadaria.

“Perdão para dois” (Pardon us, 1931), primeiro longa da dupla, que, como em outros filmes, teve a fotografia do depois famoso diretor George Stevens. São presos por bebidas em plena Lei Seca.

“Filhos do deserto” (Sons of the desert, 1934), tema recorrente em seus filmes, tentam enganar as esposas, para ir a uma convenção dos amigos. No final, claro, se dão mal.

“Queijo suíço” (Swiss miss, 1938), no qual, entre as cenas antológicas, está o transporte de um piano numa ponte suspensa sobre enorme despenhadeiro.jensen4

“Dois palermas em Oxford” (A chump at Oxford, 1940), em que o Magro displicentemente joga uma casca de banana na calçada, onde um assaltante de banco escorrega, sendo preso. Como recompensa aos heróis, ganham o estudo na famosa universidade. Foi o último grande filme da dupla.

São inúmeros títulos, que não cabem neste espaço. Mesmo depois de pararem de filmar, receberam muitas homenagens e apresentações ao vivo também na Europa. Seus filmes também foram muito reprisados na televisão e em muitas compilações sobre os anos dourados da comédia cinematográfica ao lado de Chaplin, Buster Keaton, The Keystone Cops, Fatty Arbuckle, Ben Turpin e outros.

 

 

 

 

 

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