A Voz do Silêncio

Para ouvir a “voz do silêncio”, isto é, a voz de nosso ser, de nosso espírito, é necessário morrer como seres passionais, é necessário tornar o coração piedoso, dissolver todo sentimento de separatividade, estar pronto para matar a dor e a causa da dor naquele que sofre. Para ouvir “a voz do silêncio”, temos que nos distanciar de nossos sentidos, governar nossa mente, subjugar a nossa natureza mundana, passar da ignorância à busca da sabedoria. “A voz  do silêncio” só pode ser ouvida pelos homens idealistas; aquele que não o seja, só escutará ruídos com os ouvidos físicos, só encontrará os gemidos angustiosos da morte, será um escravo da vida e jamais contemplará a face inefável da liberdade.

Podemos considerar essa introdução como sendo um resumo do livro “A Voz do Silêncio”, escrito por Helena Petrovna Blavatsky, a fundadora da Sociedade Teosófica.

Podemos traçar um paralelo muito atual com a situação política no Brasil desde o início da campanha presidencial no ano passado, que culminou com a eleição de nosso novo presidente, que assume, nesta aurora de 2019, os destinos de nossa nação.

Por que digo que o paralelo com “A Voz do Silêncio” é muito atual? Porque devemos calar nossas diferenças (ainda que pareçam intransponíveis), elevar o Brasil acima de todas as nossas dificuldades pessoais e juntar todos os cacos deixados pela campanha, para, finalmente, longe de todas as ideologias, trabalharmos para termos uma nação rica, digna e pronta para mostrar ao mundo o novo “jeitinho brasileiro”: correto, familiar, hospitaleiro, amigo, mas acima de tudo com uma grande novidade: honesto.

Que possamos sê-lo por meio da política, dentro de seus conceitos mais puros e cristalinos derivados da ética e da moral, irmãs gêmeas por nascimento. Etimologicamente, ética vem do grego “ethos”, ao passo que moral tem sua raiz no latim “mores”, significando tanto “ethos” como “mores” a mesma coisa: costumes. E é nessa modificação dos costumes que todos aqueles que elevaram esse homem à condição de Presidente da República apostaram. Os costumes que se desenvolveram em nossa história pregressa na política acabaram por arruiná-la a tal ponto que ser político virou sinônimo de ser corrupto, na maior desqualificação que um segmento da sociedade já sofreu. E o que é pior, justamente o segmento que a representa. Chegou-se ao auge da desmoralização política, não há patamar mais baixo e, em assim sendo, também não há como não se reinventar e atender ao clamor de um povo: “Não roubem!”. Façam jus ao voto de confiança que a muito custo lhes foi dado. Mesmo com algumas cobras criadas reeleitas, o recado foi dado.

Foram quebrados muitos paradigmas para chegarmos à luz de 2019 com, verdadeiramente, a possibilidade de podermos ter as esperanças renovadas e que, independentemente de erros e acertos que possam vir a ser cometidos, tenham todos sido precedidos das melhores intenções, em nome do povo e para o bem do povo.

Que Deus nos ilumine para que todos possamos escutar “a voz do silêncio”.

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