Editorial. Ed. 206

Há uma onda de otimismo no Brasil. A expectativa de que o novo governo tire o país da crise e devolva esperanças baseadas na prosperidade e na expansão do emprego é imensa. Devemos torcer por um enredo com final feliz. Mas sem perder a clareza sobre nossas dificuldades, que não são poucas.

O primeiro e mais temível adversário do novo governo é o enorme desarranjo das contas públicas. Jair Bolsonaro precisa pensar com urgência em algo menos fantasioso e mais eficiente. Quanto à ilusão do ajuste rápido, foi mais uma vez desfeita pelos mais conhecidos especialistas em contas públicas. Não há milagre possível, dizem. E apontam nossas dificuldades e as providências inevitáveis, que poderão ser amargas e antipopulares.

É urgente, afirmam, mobilizar forças políticas para aprovar a reforma necessária e corrigir a trajetória desastrosa do sistema de aposentadorias e pensões, observam. Mas a mudança da Previdência é só uma parte da tarefa. Será preciso rever a política de pessoal e as desonerações tributárias.

Emperrado pelo jogo político, o atual programa de ajustes e reformas pelo menos teve alguns avanços e está voltado para o lado certo. Qualquer desvio poderá ser perigoso. O presidente eleito e sua equipe deveriam dar atenção a advertências já formuladas.

Será um erro repartir com Estados e municípios o valor arrecadado com o leilão de áreas do pré-sal no próximo ano. A iniciativa foi defendida pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, e o futuro ministro Paulo Guedes disse estar aberto à ideia. Mas o dinheiro será necessário ao governo central, lembrou o ministro da Fazenda. Em 2019 será preciso um grande esforço para cumprir a regra de ouro, a proibição de endividamento para gastos de custeio.

Os especialistas também apontam o perigo de distribuir dinheiro a Estados sem o compromisso de ajuste das contas estaduais. As facilidades concedidas a Estados nos últimos anos facilitaram maiores gastos com pessoal.

Por enquanto Bolsonaro não tem oposição com moral para atacá-lo de frente. O PT continua a lidar com a polícia e a Justiça por conta da corrupção. A Justiça Federal do Distrito Federal aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Lula, Dilma Rousseff, os ex-ministros Guido Mantega, Antonio Palocci, Edinho Silva, Paulo Bernardo, a mulher dele, presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pelo crime de organização criminosa. Essa é a primeira vez que a ex-presidente Dilma vira ré na Lava Jato.

Sendo assim, os petistas se tornaram réus no inquérito que ficou conhecido como “Quadrilhão do PT”. A denúncia foi feita em 2017, pelo então PGR, Rodrigo Janot, que afirma que, entre os anos de 2003 e 2016, os ex-presidentes lideraram uma organização criminosa que lesou a Petrobras, pela prática de “uma miríade de delitos” na administração pública durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff, somando R$ 1,4 bilhão em desvio de recursos dos cofres públicos. Vai levar muito tempo para o PT se reerguer.

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