O balé no cinema

jensen0_abre

Este tema foi diversas vezes abordado no cinema, mas alguns filmes se sobressaem em termos de coreografia, dança, música, pantomima e bailarinos, não apenas como pano de fundo para alguma trama.

O filme inglês “Os sapatinhos vermelhos” (The red shoes, 1948) foi escrito, produzido e dirigido por Michael Powell e Emeric Pressburger, com Anton Walbrook, Marius Goring, Moira Shearer e Ludmilla Tcherina no elenco. Fotografado em magnífico colorido por Jack Cardiff e com música de Brian Easdale, venceu o Oscar de direção de arte e música. Baseado num conto de Hans Christian Andersen sobre uma garotinha cujos sapatinhos a mantêm dançando até cair morta, levou os diretores, auxiliados pelo coreógrafo Robert Helpmann, Léonide Massine e o maestro sir Thomas Beecham com a Royal Philharmonic Orchestra, a uma sequência fantástica com vinte minutos de maravilhoso balé. Sensual e apaixonante, tornou-se uma das obras-primas dos anos 40, um preferido para os fãs do gênero.

Cena de “Os sapatinhos vermelhos”

Cena de “Os sapatinhos vermelhos”

Gene Kelly exibiu este filme aos executivos da Metro-Goldwin-Mayer a fim de convencê-los sobre o balé final do filme “Sinfonia de Paris” (An american in Paris), espetáculo visual coreografado e dançado por Kelly com Leslie Caron como sua parceira. Com cenários ao estilo de artistas franceses, notadamente Toulouse-Lautrec, música de George Gershwin, direção musical de Johnny Green e Saul Chaplin e dirigido por Vincente Minelli, ganhou oito Oscars, inclusive de melhor filme em 1951. No ano seguinte, a Metro lançava “Cantando na chuva” (Singin in the rain), cuja cena de Kelly dançando na chuva ficou antológica. Mas também aparece aos 75 minutos de projeção um número de 13 minutos, Broadway Melody, uma espetacular Broadway estilizada, em que Kelly e uma deslumbrante Cid Charisse dançam contando a história de um iniciante procurando oportunidades. Codireção e coreografias ficaram a cargo de Kelly e Stanley Donen e a direção musical, de Lennie Hayton. Mesclando comédia, romance e grandes números musicais, o filme é pura diversão.

Em 1956, a Metro lançava outro filme dançado, coreografado e dirigido por Gene Kelly: “Convite à dança” (Invitation to the dance). As filmagens começaram em Londres, em 1952, e foram finalizadas em 1954, em Hollywood. A produção consiste de três episódios independentes, sem um fio condutor ou enredo que os unisse e sem diálogos, uma novidade à época, não muito bem aceita pelo público, e o filme foi um fracasso de bilheteria, com alguma sobrevida em circuitos de arte. No entanto, foi premiado no festival de Berlim e muito considerado pelos entusiastas de balé. Em “Circus”, primeiro episódio, com música de Jacques Ibert, Kelly interpreta um palhaço de uma pequena trupe apaixonado por uma moça do show. O segundo, “Ring around the Rosy”, é um conto satírico sobre um bracelete, com música de André Previn. O último e mais longo, “Sinbad the sailor”, foi baseado na música de Rimsky-Korsakov da suíte “Scheherazade”, adaptada por Roger Edens. Mistura dançarinos e animação, executadas por Bill Hanna e Joseph Barbera com personagens das “Mil e uma noites”. No elenco, dançarinos de teatros de Nova York, Londres, Paris e Roma, como Tamara Toumanova, Igor Youskevitch e Claire Sombert, entre outros.
jensen3

Em 1979 a Fox lança “Momento de decisão” (The turning point), a partir de roteiro de Arthur Laurents, dirigido por Herbert Ross, com Shirley MacLaine e Anne Bancroft. Trata-se de um melodrama com ótimas cenas de balé. Foi o primeiro filme de Mikhail Baryshnikov com a também bailarina Leslie Browne, mais os integrantes do American Ballet Theatre, com destaque para Fernando Bujones e Marcia Haydée. Há trechos dançados de músicas de Wieniawski, Ludwig Minkus, Adolphe Adam, Chopin, Carl Czerny, Duke Ellington, Prokofiev e, claro, Tchaikovsky, executados pela Filarmônica de Los Angeles sob direção do maestro John Lanchbery. Foca os bastidores de uma companhia de dança. Indicado a 11 Oscars, não levou nenhum.

jensen2Após uma série de filmes sociais e políticos, o diretor espanhol Carlos Saura mergulhou no lírico e balé. Dono de extensa filmografia, ultrapassou as fronteiras da música espanhola, com “Tango”, de 1998, e “Fados”, de 2007. Em 2005, realizou “Iberia” com músicas de Isaac Albéniz, filme sem diálogos com os principais representantes da dança e música espanholas. Desfilam o apaixonante flamenco, o balé clássico e a dança contemporânea, em cenários de estúdio multiplicados por espelhos, fotos, iluminação e fotografia elaboradíssima, com cantores e músicos presentes e som direto de primeira. A sucessão dos números ganha a dimensão de um show cinematográfico em que somos espectadores privilegiados.

Cena de “Tango”, de Carlos Saura

Cena de “Tango”, de Carlos Saura

Estes são alguns exemplos da grande arte da dança transpostos para o espetáculo cinematográfico.

 

Leia mais

Deixe uma resposta