O mais carioca dos mineiros

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Ouro sobre azul. Nada mais exato que a expressão. Relembro o “escrete mineiro”, aquele onde despontavam, com intenso brilho, talento inegável, nomes assim: Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Hélio Pelegrino e Otto Lara Resende. Sem contar com os titulares absolutos: Drummond e Pedro Nava.

Caso seria de lembrar o parentesco de tal elenco, notadamente, com a camisa estrelada do Cruzeiro. Neste firmamento azul, tais estrelas continuam cintilando através dos tempos. Quilates iguais às estrelas que desfilam no Mineirão: Tostão, Dirceu Lopes e cia. Literatura e futebol. Gloriosos emblemas de Minas. Mas, num espaço de crônica, devo lembrar uma delícia assídua que era esperar a página 2 da Folha de São Paulo, onde ler Otto Lara era do mesmo molde e feito que passar uma tarde na Leiteira BOL, no Largo São Francisco, saboreando, mineiramente, um pãozinho de queijo, logicamente acompanhado por uma geleia de amora e um queijo das alterosas, feito com leite de cabra…

bellinho_ottoOtto, amigo de Nelson Rodrigues. Inseparáveis. Tanto que consta: o título certo é: “Bonitinha mas ordinária (ou) Otto Lara Resende”. Consta também que, invariavelmente, ele próprio se autoacusava de “grafômano contumaz”. Sempre sendo um poderosíssimo radar a cada crônica. Confessadamente, seria digno de registro, à época, só comprávamos a Folha, eu e os colegas de tribo, por causa do Otto. Um registro que demarca sua brilhante participação jornalística está descrito em certa crônica, quase homenagem, a outro grande nome, seu dileto amigo: Castellinho e sua coluna…

Ademais a frase que celebra a trajetória de Otto permanece, indiscutível, deveras respirável entre montanhas e colinas, como névoa, neblina rósea que paira em todo ser de Minas… “O mineiro só é solidário no câncer…”

Mas aquela que me faz lembrar Otto, certamente, tem algo de criança, de menino no ápice do montanhado, recordando que “o melhor da festa é esperar por ela”.

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