Ruptura e inovação

Há quem compare o ocorrido no Brasil agora com 1960. Marco da maior arrancada do Paraná como sociedade organizada. Tudo veio em uma eleição para lá de ideológica com Jânio Quadros. Ney Braga, o eleito da terra, tinha assumido claro compromisso com o vencedor como se deu agora com Ratinho Júnior e Bolsonaro. Identificação foi tanta que o slogan neysta era “Quem é Ney é Jânio, quem é Jânio é Ney”. Foi um pleito renhido com Ney superando Nelson Maculan, do PTB.

No pleito de agora, Ratinho Júnior ganhou fácil e nem precisou da transfusão eleitoral, posto que a identificação nada tivesse de forçada. Ney vinha de uma eleição de prefeito da capital (que Ratinho sabidamente não conseguiu) de 1954 e nem o suicídio de Vargas o atrapalhou já que o candidato do PTB, Estevam de Souza Neto, se saiu mal.

Há, portanto, semelhanças entre as situações relativamente à presidência, declarando-se Ratinho como nada a ter com as tradições da política local pelo revezamento constante de quatro famílias no poder desde os anos 80 do século passado. Compromisso do vencedor é de inovar métodos de gestão, devolver o planejamento ao governo, enxugar a máquina com a redução de secretarias e, sobretudo, “fazer mais com menos”.

Em 1960 havia quadros gerenciais em escala superior à de agora, mas Ney surpreendeu foi em aproximar seu partido, o PDC, do PTB, seu opositor, para suas primeiras medidas, uma delas a criação do Fundo de Desenvolvimento com uma parcela do Imposto de Vendas e Consignações. Fundamentaria, assim, a criação da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, Codepar, raiz do futuro banco de fomento, o Badep, que aplicaria recursos, primeiro em obras públicas e depois na iniciativa privada. Para mudar a face do Paraná, Ratinho terá que fazer algo com esse tom de mudança, de virar a mesa, de chutar o pau da barraca e implantar o novo. Essa é sua intenção, como o demonstrou nos arranjos da transição. É possível até porque boa parte dos quadros que o assessoram é originária do maior período sequencial de desenvolvimento da história paranaense, o ciclo neysta.

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