“Vigotski e a inclusão”

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Uma organização de Denise de Camargo e Paula Maria Ferreira de Faria sobre as contribuições do autor para uma educação inclusiva

 

Lev Semenovich Vigotski nasceu em 5 de novembro de 1896 em Orsha, na Bielorrúsia, mas com menos de um ano de vida sua família mudou-se para Gomel, onde Vigotski cresceu e teve sua formação de contato direto e cotidiano com as artes, a história, o teatro e a literatura. Seu pai era bancário e foi um dos fundadores de uma grande biblioteca da cidade. A mãe de Vigotski era professora formada e falava vários idiomas, porém sua dedicação foi integral à família e não à carreira. Após concluir os estudos, Vigostski mudou-se para Moscou onde iniciou o curso de Medicina, mas logo se transferiu para o curso de Direito e em paralelo cursou História e Filosofia, suas áreas de real interesse, onde teve seu primeiro contato com a Psicologia e pôde se dedicar à área em que tanto foi atuante durante sua vida.

Pensando na importância do teórico e sua atuação no campo da educação, a Travessa dos Editores acaba de lançar Vigotski e a inclusão: contribuições ao contexto educacional sob organização das pesquisadoras Denise de Camargo e Paula Maria Ferreira de Faria. Denise de Camargo é doutora em Psicologia Social pela PUC-SP, professora sênior do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR e Paula Maria é mestranda do mesmo programa.

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O livro, dividido em dez capítulos, traz as novas reflexões acerca das questões que envolvem os processos de inclusão/exclusão que ocorrem no interior das instituições escolares. Na apresentação, as autoras observam que “o termo ‘inclusão’ surge na legislação brasileira somente a partir dos anos 2000, com o eixo norteador das políticas públicas, quando o governo implanta a política da ‘Educação Inclusiva’”, entretanto, o interesse não é novo, “há quase cem anos, na Rússia, Lev Semenovich Vigotski já se preocupava com essa questão, apontando a necessidade de práticas educativas que promovessem o real desenvolvimento – não de alguns, mas de absolutamente todos os alunos”. E é nessa perspectiva, nas possibilidades dos desenvolvimentos de todos os indivíduos, que o livro se apoia para elaborar reflexões a partir dos ensinamentos do autor.

Os dez capítulos convidam à reflexão sobre as diferentes e múltiplas faces da inclusão. Como as apresentadoras acrescentam, “para além de socializar conhecimentos, a intenção do livro é provocar a reflexão e suscitar o desenvolvimento de novas práticas, contribuindo para que a escola brasileira seja, efetivamente, lócus de aprendizagem e promotora do desenvolvimento humano”. Portanto, todas(os) as(os) pesquisadoras(es), presentes em suas elaborações nos capítulos do livro, se utilizam da perspectiva vigotskiana não apenas como balanço teórico, mas objetivam reflexões sobre a educação na contemporaneidade e as possibilidades de aperfeiçoamento da educação em nosso contexto social e histórico.

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