Waltel Branco

 

Waltel Branco é nome insuperável. É desses pra quem a gente desfila adjetivos sem capacidade de descrever o florir de sua música, lugar em que o extraordinário se torna frequente.

Na sua arte viajamos até a outra margem da realidade, vamos parar lá na outra fronteira, um pé no inacreditável, na contemplação do infinito, nas mais profundas razões que vêm de dentro para se espalharem, transbordantes, pela vida de quem tem a sorte dos ouvidos de ouvir.

É tarefa penosa, principalmente agora que Waltel se cansou das coisas daqui para voar por outros lugares, pinçar grandes momentos de sua biografia. Eles são muitos e preenchem páginas imensas. Estão todos a figurar os volumes que documentam a história da música moderna – do Brasil e do estrangeiro.

Por aqui gostamos de afirmar sua condição de paranaense; ilusão ufanista, Waltel era um homem do mundo.

E, para falar bem a verdade, o estado foi um tanto mesquinho com ele, como vez ou outra faz com grandes nomes, mas na colheita gosta de estufar o peito e chamá-lo de seu. Waltel, ainda bem, superou a geografia.

Teve o ponto de partida em Paranaguá, mas compôs quilometragem abundante em suas andanças pelo mapa: bossa nova, jazz, choro, boa parte no popular e boa parte no erudito.

E tudo isso misturado a passeios pela XV, papos furados no Maneko’s, conversas nos bares, sempre com um sorriso no rosto e a fala mansa para boa conversa deste e de outros tempos.

As cordas do maestro, do arranjador, do compositor e do instrumentista saem do final do arco-íris e se colocam, tesouro à nossa disposição e desfrute, nos discos dele e de outros.

É fácil encontrar Waltel: de Cazuza a Henry Mancini, de Tim Maia a João Gilberto, de Alceu Valença a Odair José, ele está presente. Mas é preciso transcendência para entendê-lo.

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